Governo está “atento”. Afinal, o que está em jogo entre a

Governo está "atento". Afinal, o que está em jogo entre a

As negociações estão em curso e um acordo entre a Galp e a Moeve pode dar origem a um dos maiores grupos de refinação e venda de combustíveis da Península Ibérica. O Governo já disse que está “atento” a estes desenvolvimentos, mas o que prevê, em concreto, o negócio? Em causa está o acordo não vinculativo assinado entre a Galp e os acionistas da Moeve (ex-Cepsa) – a Mubadala Investment Company, fundo soberano dos Emirados Árabes Unidos, e o fundo norte-americano The Carlyle Group – para avançar com discussões sobre a junção dos respetivos portefólios de ‘downstream’ (refinação, petroquímica e venda de combustíveis) na Península Ibérica. O plano em estudo prevê a criação de duas novas plataformas empresariais: uma dedicada ao retalho de combustíveis e mobilidade (RetailCo), que reunirá as redes de postos de abastecimento e será co-controlada pela Galp e pela Moeve, e uma plataforma industrial (IndustrialCo), focada em refinação, petroquímica, ‘trading’ e combustíveis de baixo carbono (como biocombustíveis e hidrogénio). Nesta plataforma industrial, a Galp terá uma participação minoritária, superior a 20%, enquanto a maioria do capital ficará nas mãos dos acionistas da Moeve. Entre os ativos potencialmente integrados encontra-se a refinaria de Sines, considerada estratégica para o abastecimento energético nacional. Na prática e segundo estimativas do Expresso, um negócio entre a Galp e a Moeve pode dar origem a um gigante ibérico com 3.500 postos de combustível e capacidade para processar perto de 700 mil barris de petróleo por dia. A Galp e a Moeve anunciaram um acordo para avançar para a potencial integração dos seus negócios de refinação e processamento de petróleo (‘downstream’) na Península Ibérica, criando duas plataformas energéticas europeias: uma industrial e outra focada na mobilidade. Lusa | 08:28 – 08/01/2026 Ministro da Economia diz que Governo está “atento” O ministro da Economia e da Coesão Social, Manuel Castro Almeida, disse na quarta-feira que o Governo deve ter uma atuação cautelosa sobre as negociações entre a Galp e a Moeve, garantindo estar atento “aos interesses estratégicos do Estado”. “Aquilo que o Governo queria dizer sobre o assunto disse no comunicado que hoje saiu. É um comunicado cauteloso, como cautelosa tem que ser a atuação do Governo”, afirmou. Manuel Castro Almeida respondia a questões dos jornalistas, em Sines, no distrito de Setúbal, à margem de um encontro promovido pela Fundação Repsol para debater a importância deste território na descarbonização da indústria. Questionado sobre as negociações entre a Galp e a Moeve para a fusão dos negócios de refinação e combustíveis na Península Ibérica, o governante garantiu que o Estado mantém-se atento por estarem em causa ativos estratégicos. “Atentos, sabendo que o essencial da negociação pertence às empresas, estamos a falar de um negócio entre empresas que são privadas. Agora há uma relação com interesses estratégicos do Estado em que o Estado tem de estar atento e estará”, reforçou o governante remetendo para o comunicado hoje divulgado sobre esta matéria. Na nota, o Ministério da Economia e da Coesão Social diz que “foi informado sobre o início das negociações entre a Galp e a Moeve, para a junção de parte dos ativos e da intenção de criar duas novas plataformas empresariais: uma dedicada ao retalho de combustíveis e mobilidade, e outra dedicada à indústria petroquímica e de refinação”. E acrescentou que “estando em causa ativos estratégicos para a soberania energética nacional, sustentabilidade ambiental, concorrência e defesa dos consumidores, e sem prejuízo de se tratar de um potencial negócio entre empresas privadas, o Governo permanece atento ao desenrolar das negociações”. Questionado pela agência Lusa se a refinaria de Sines da Galp é uma das áreas às quais o Governo vai estar atento, Manuel Castro Almeida anuiu, referindo ser “essa a questão principal”. No comunicado, o ministério da Economia e da Coesão Territorial lembrou que Estado “detém uma participação qualificada de 8,24% na estrutura acionista da Galp, detida através da Parpública – Participações Públicas”. Ministra do Ambiente rejeita perda estratégica de Sines Por sua vez, a ministra do Ambiente e Energia encara com otimismo as negociações entre a Galp e a Moeve para a fusão dos negócios de refinação e combustíveis na Península Ibérica, e rejeita que represente uma perda estratégica para Portugal. A governante rejeitou que a operação represente uma perda estratégica para Portugal, defendendo que a Galp ganhará influência sobre um conjunto mais alargado de ativos de refinação na Península Ibérica. “A minha posição, agora estou a falar por mim, é que vejo isto por outro prisma. Quando dizem que nós perdemos o controlo de uma refinaria, eu digo que nós ganhámos o controlo de outras duas, porque em Espanha há duas”, afirmou, numa referência às refinarias da Moeve em San Roque, em Cádiz, e em Palos de la Frontera, em Huelva. “Portanto, vão ser três refinarias em que a Galp passa a ter uma influência”, acrescentou. A ministra frisou que o processo ainda está numa fase inicial e que as empresas dispõem de um ano para negociar os termos finais do acordo e submetê-lo às autoridades da concorrência. “Vamos acompanhar de muito perto, como não podia deixar de ser, todo o assunto”, afirmou. “Estamos conscientes das vantagens e das possíveis desvantagens se as coisas não correrem bem, mas estamos convencidos de que vai ser positivo.” Segundo Maria da Graça Carvalho, a criação de um grupo de maior dimensão, através da fusão destes ativos entre as duas empresas, é uma vantagem num setor cada vez mais competitivo. “Isto dá uma massa crítica grande à empresa. E no mundo de hoje o tamanho conta. E nesta área da energia, ainda mais”, disse. Leia Também: Fusão Galp/Moeve? Ministra rejeita perda estratégica de Sines

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