Privatização da TAP? easyJet vê oportunidade para crescer em

Em entrevista à Lusa, José Lopes sublinha que a TAP é atualmente o operador dominante em Lisboa, o que obrigará a Comissão Europeia a impor contrapartidas, tal como faz sempre que há processos de consolidação, os chamados remédios. “No caso do aeroporto de Lisboa, é um mercado onde a TAP é dominante, é o ‘player’ (operador) número um, tem perto de metade dos ‘slots’ (faixas horárias para aterrar e descolar) disponíveis”, refere. Segundo o responsável, qualquer entrada de um novo acionista relevante no capital da TAP levará, como já aconteceu noutros países, à imposição de medidas corretivas por Bruxelas. Esses remédios passam, tipicamente, pela redistribuição de ‘slots’ nos aeroportos mais congestionados, como é o caso de Lisboa. “Portanto, uma consolidação com qualquer outro player — e os três ‘biders’ (interessados) estão identificados publicamente — levará a uma consolidação dessa posição dominante”, o que, “por norma levará, tal como aconteceu recentemente no caso da compra da ITA por parte da Lufthansa, a que existam remédios”, comentou. Em causa está o interesse dos três grupos europeus Air France-KLM, IAG e Lufthansa pela compra de até 49,9% da companhia aérea portuguesa, estando 5% do capital reservado para os trabalhadores. “Haverá certamente mais ‘slots’ a serem distribuídos. A easyJet (..) está disponível para aproveitar essa oportunidade que irá surgir”, acrescenta, explicando que a companhia vê a privatização como uma oportunidade concreta para crescer num aeroporto onde atualmente não há capacidade disponível. O responsável recordou que a companhia aérea já recebeu ‘slots’ em Lisboa no âmbito dos remédios impostos pela Comissão Europeia durante o processo de reestruturação da TAP, na sequência dos auxílios de Estado concedidos durante a pandemia. Questionado sobre se a easyJet teria alguma preferência pelo vencedor da privatização da TAP, o responsável disse que acompanha o processo como “outsider” (espetador), mas com interesse direto nos seus efeitos concorrenciais. “Estamos a olhar para o projeto de compra (…) como uma oportunidade para podermos crescer realmente num aeroporto que está neste momento congestionado”, afirmou. Em 2025, no conjunto do país, a companhia aérea operou um total de 96 rotas de e para aeroportos portugueses e transportou mais de 10,5 milhões de passageiros, com uma taxa média de ocupação de 92%, uma das mais elevadas de toda a sua rede. A companhia disponibilizou mais de 11,4 milhões de lugares em Portugal, tendo consolidado a liderança na Madeira, além da segunda posição nos principais aeroportos do continente — Lisboa, Porto e Faro, como lembrou o responsável. Questionado sobre se face a este crescimento a easyJet tem sido abordada para vender a operação portuguesa, José Lopes afastou esse cenário. “Não, nem em Portugal nem em lado nenhum. Não existe nenhuma situação dessas perspetivada, pelo contrário”, afirmou. O objetivo “é continuar a crescer”, sublinhou o responsável, que lidera a easyJet em Portugal desde 2012. Leia Também: AO MINUTO: Arranca último dia de campanha; “Que se lixe Montenegro”



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