“Ficamos pendurados”. Catástrofes expõem fragilidades de

“Terá de se pensar no futuro e, se calhar, enquanto comunidades intermunicipais, pensarmos que precisamos de alguns mecanismos adicionais. Em termos técnicos, há uma dependência forte da infraestrutura de energia, que, enquanto não é operacional, também condiciona as telecomunicações”, destacou.
Em declarações à agência Lusa, o docente da Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico de Leiria explicou que, numa primeira instância, em virtude de todos serem agentes de proteção civil, cada um deve pensar mais em autoproteção.
“Essa é a primeira reflexão e a segunda é que faz sentido começarmos a pensar, enquanto país, ou até enquanto comunidade mais pequena, por exemplo, as comunidades intermunicipais, em ter um sistema alternativo”, sustentou.
Embora reconheça que tal poderá custar “muito dinheiro”, Mário Antunes evidenciou que o cidadão está muito dependente dos serviços de internet e não existem alternativas quando eles falham.
“Ficamos mesmo pendurados porque temos lá acesso bancário, emails e telefones”, acrescentou.
A propósito da quebra nas telecomunicações em vários pontos do país, após a passagem da depressão Kristin, o docente esclareceu que as grandes operadoras têm mecanismos de recuperação para este tipo de situações ou ciberataques.
No entanto, com uma devastação como a que se verificou, com queda de postes de alta e média tensão, “torna-se difícil repor rapidamente, porque os próprios sistemas redundantes poderão também não estar a funcionar”.
“Há mais facilidade de tudo funcionar mais ou menos bem onde há maior densidade populacional, até porque os próprios operadores têm aí maiores mecanismos de redundância, mais antenas, mais equipamentos de interligação. Quando nos afastamos de zonas mais densamente populosas, fora dos grandes centros, começa a haver alguma dificuldade e é preciso mais tempo de recuperação”, indicou.
Face “ao tamanho da desgraça que se viu”, Mário Antunes acredita que alguns desses mecanismos de recuperação foram acionados e funcionaram.
“Passaram 48 horas, sei que é um número de horas chato para toda a gente, mas é um valor razoável, tendo em conta a dimensão da tragédia. É cada vez mais necessário ter geradores porque, e volto a frisar, a energia elétrica é fundamental, mas também começar a pensar em mecanismos alternativos a vários níveis”, concluiu.
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho.
Quedas de árvores e de estruturas, corte ou condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.
Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade entre as 00:00 de quarta-feira e as 23:59 do dia 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, número que pode aumentar.
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