Autoridades Estimam Que um Milhão de Pessoas Poderão Ser

Autoridades Estimam Que um Milhão de Pessoas Poderão Ser

advertisemen tA Direcção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos (DNGRH) alertou nesta segunda-feira, 9 de Fevereiro, que cerca de um milhão de pessoas poderão ser afectadas pela tempestade tropical “Gezani”, que se prevê que evolua para ciclone e poderá atingir o canal de Moçambique no dia 12 de Fevereiro. Ao apresentar as estimativas dos impactos das chuvas e ventos fortes, o director da DNGRH, Agostinho Vilanculo, avançou que este evento extremo poderá atingir as zonas costeiras das províncias de Gaza e Inhambane e Sofala, nas regiões Sul e Centro do País, respectivamente. Citado pela Lusa, o responsável acrescentou que se espera ainda que o mau tempo afecte 1600 unidades sanitárias, 600 quilómetros de rede eléctrica, alertando ainda para o risco de seis bacias hidrográficas de Inhambane, Gaza e Sofala transbordarem e causarem mais inundações. “Ainda não estamos numa situação de stress total, mas este é o cenário que se avança. Se formos a receber precipitações com magnitude acima de 200 milímetros em 24 ou 48 horas podemos voltar a ter a cidade de Xai-Xai numa situação preocupante”, disse Agostinho Vilanculo. Entretanto, o Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) dez saber que até às 8h00 de segunda-feira, o sistema apresentava ventos médios de 75 quilómetros por hora, com rajadas até 100 quilómetros por hora, deslocando-se para o sudoeste a uma velocidade de 15 quilómetros por hora. As projecções indicam que a tempestade poderá atingir o canal de Moçambique nas próximas 72 horas. Em comunicado, o INAM refere ainda que GEZANI poderá transportar ventos de até 120 quilómetros por hora, com rajadas que poderão atingir 140 quilómetros por hora, acompanhadas de chuvas intensas. Dados actualizados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) indicam que, desde o início da época chuvosa, em Outubro, foram afectadas 844 mil pessoas em todo o País, com registo de 153 mortos e 254 feridos. Face à gravidade da situação, o Governo declarou o alerta vermelho nacional no dia 16 de Janeiro, sendo que actualmente, estão activos 77 centros de acomodação, acolhendo 76 251 pessoas deslocadas. Desde 7 de Janeiro, foram ainda danificadas 229 unidades sanitárias, 316 escolas e cinco pontes. No sector agrícola, as cheias afectaram 440 842 hectares de cultivo, dos quais 275 405 foram dados como perdidos, atingindo 314 780 agricultores. Estima-se também a morte de 408 115 cabeças de gado, entre bovinos, caprinos e aves. A União Europeia, os Estados Unidos, Portugal, Angola, Espanha, Timor-Leste, Suíça, Noruega, Japão e China, além de países vizinhos, já anunciaram e enviaram ajuda humanitária de emergência. Recentemente, o Governo previu a necessidade de, pelo menos, 644 milhões de dólares para reparar os danos provocados pelas chuvas intensas registadas nos últimos 20 dias, que resultaram em cheias e inundações em várias regiões do País, com maior incidência nas zonas Centro e Sul. Entre os principais prejuízos, destacam-se os danos em cerca de três quilómetros da Estrada Nacional Número 1 (N1), a principal via rodoviária que liga Moçambique de norte a sul, situação que agravou as dificuldades de circulação de pessoas e de escoamento de bens essenciais. No final do ano passado, o Executivo aprovou o plano de contingência nacional para a época chuvosa 2025-26 avaliado em 14 mil milhões de meticais. No entanto, admitiu dispor apenas de 6 mil milhões de meticais da verba necessária. O País é considerado um dos mais severamente atingidos pelas alterações climáticas, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais. Nas últimas chuvas, entre 2024-25, Moçambique foi atingido pelos ciclones Chido, Dikeledi e Jude que causaram a morte de pelo menos 313 pessoas, feriram 1255 e afectaram mais de 1,8 milhão. Os eventos extremos provocaram pelo menos 1016 mortos em Moçambique entre 2019 e 2023, afectando cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.advertisement

Publicar comentário