Governo e ONU Contra Substitutos de Leite Materno no Apoio

Governo e ONU Contra Substitutos de Leite Materno no Apoio

advertisemen tO Ministério da Saúde, em parceria com o Programa Alimentar Mundial (PAM), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a Organização Mundial da Saúde (OMS), alertou esta terça-feira (10) que substitutos do leite materno não devem ser distribuídos na ajuda humanitária às vítimas das cheias, defendendo a amamentação e o apoio às mães. “Substitutos do Leite Materno (SLM), incluindo fórmulas infantis, fórmulas de seguimento e leite em pó, biberões e tetinas não devem ser incluídos em distribuições gerais durante as respostas às emergências em Moçambique”, lê-se num comunicado conjunto elaborado pelas quatro instituições e divulgado pela Lusa. No documento, as entidades esclarecem que “as crianças, desde o período da gravidez até aos 2 anos de idade, são particularmente vulneráveis ​​à desnutrição e outras doenças. A amamentação é crucial para a sobrevivência das crianças, sobretudo das mais novas”. Para estas entidades, durante os períodos de emergências, a amamentação e o apoio às mães tornam-se ainda mais essenciais. “Mesmo quando as mães estão stressadas, exaustas, desidratadas, com fome ou doentes, e sem aconselhamento e apoio adequados, aumenta o risco de práticas inseguras de alimentação, incluindo o uso de substitutos do leite materno”. “Factores como saúde mental fragilizada, falta de alimentos adequados, ausência de apoio social, distribuição indiscriminada de fórmulas infantis e alimentos com alto conteúdo de açúcar, sal e gorduras, perda de meios de subsistência e mitos relacionados com práticas alimentares podem agravar a situação”, descrevem. De acordo com as instituições, o apoio é fundamental para garantir a sobrevivência, o crescimento e o desenvolvimento das crianças, bem como para prevenir a desnutrição e outras doenças que possam contribuir para a mortalidade infantil, frisando que as intervenções humanitárias devem também “seguir as directrizes e regulamentos nacionais de alimentação infantil, bem como o Código Nacional de Comercialização de SLM”. “Apelamos a todas as equipas e funcionários de resposta humanitária para identificarem as necessidades das mulheres grávidas e das mães que amamentam e fornecerem protecção e apoio adequados para que elas continuem a amamentar. Apelamos aos actores relevantes a fazerem um levantamento das crianças e lactentes menores de 2 anos que não recebem leite materno, ou que não podem receber leite materno, e referenciá-los para os técnicos especializados do Ministério da Saúde, para acompanhamento adequado”, elucidam. A UNICEF está a implementar acções integradas, destinadas a salvaguardar o bem-estar, a dignidade e o futuro das crianças afectadas pelas cheias É também importante, defendem, apoiar as mães que vivem com o Vírus da Imunodeficiência Humana, a receber os seus medicamentos antirretrovirais e a manter a adesão ao tratamento, e garantir o acesso a alimentos complementares seguros, adequados e nutritivos para crianças a partir dos 6 meses de vida, juntamente com informação sobre a sua correcta utilização. Na semana passada, o Fundo das Nações Unidas para a Infância anunciou que necessita de 34 milhões de dólares para responder à crise humanitária provocada pelas cheias que afectam várias províncias de Moçambique desde o início do ano. O montante visa assegurar assistência às populações deslocadas ao longo dos próximos seis meses, abrangendo as províncias de Gaza, Maputo e parte de Sofala, segundo revelou Cláudio Julaia, especialista de emergência da organização no País. Dados actualizados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) indicam que, desde o início da época chuvosa, em Outubro, foram afectadas 844 mil pessoas em todo o País, com registo de 153 mortos e 254 feridos. Face à gravidade da situação, o Governo declarou o alerta vermelho nacional no dia 16 de Janeiro, sendo que actualmente, estão activos 77 centros de acomodação, acolhendo 76 251 pessoas deslocadas. Desde 7 de Janeiro, foram ainda danificadas 229 unidades sanitárias, 316 escolas e cinco pontes. No sector agrícola, as cheias afectaram 440 842 hectares de cultivo, dos quais 275 405 foram dados como perdidos, atingindo 314 780 agricultores. Estima-se também a morte de 408 115 cabeças de gado, entre bovinos, caprinos e aves.advertisement

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