Três anos depois, ex-CEO da TAP insiste: “Fui usada como

Três anos depois, ex-CEO da TAP insiste: "Fui usada como

A ex-presidente executiva (CEO) da TAP, Christine Ourmières-Widener, exonerada em março de 2023, na época pelo Governo de António Costa, ainda espera, três anos depois, o desfecho do caso que impôs contra a TAP. Em entrevista ao Observador, publicada nesta quarta-feira, ela insiste que a demissão foi infundada e que não teve nada a ver com sua “performance”, especialmente considerando que ela foi a responsável pelos “melhores resultados da história recente da empresa”. “Fizemos coisas muito difíceis durante o meu mandato na TAP, mudanças e transformações que eram pré‑requisito para qualquer privatização, que hoje é possível. Isso só foi possível porque fizemos coisas difíceis”, referiu. “Bode expiatório” e “escudo político” A gestora, atualmente a trabalhar para numa empresa britânica ligada ao hidrogénio para a aeronáutica, considerou que as escutas que foram publicadas entre o, na altura, primeiro-ministro António Costa e ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, demonstram que foi um “bode expiatório”. “Voltaram a provar que fui usada como escudo político, porque nada disso teve a ver com minha competência como CEO de uma companhia aérea. Foi o Governo me usando como escudo político em um momento difícil para o Governo”, considerou, admitindo ainda que gostava “que as escutas pudessem ser usadas como meio de prova, já que são claras quanto aos motivos que levaram à minha saída”. “Vejo‑me como um bode expiatório ou escudo político numa situação que nada teve que ver com a minha performance”, sublinhou. TAP estava em “modo de sobrevivência” Christine Ourmières-Widener também revela ao jornal que, depois da pandemia, na época em que entrou, a situação da TAP era delicada. “Estávamos saindo da Covid e a empresa estava praticamente em ruptura. Era uma questão de sobrevivência. E, quando você está em modo de sobrevivência, a prioridade é pagar salários, pagar combustível – se você não paga o combustível, você não voa. Era realmente um modo de sobrevivência”, explicou. Acordo possível? Sobre a indenização de 5,9 milhões de euros que reivindica junto à TAP, a ex-CEO da TAP não afasta um acordo. “No mundo dos negócios é sempre possível ter conversas e chegar a um acordo quando se quer uma conclusão”, admitiu, reforçando: “Sempre estive disponível para sentar à mesa e encontrar uma solução, porque, para mim, um dos motivos pelos quais estou falando hoje é justamente o fato de que, depois de três anos, não há conclusão. E acho muito difícil aceitar que, depois de três anos, não se chegou a nenhum acordo ou conclusão, depois de eventos que não foram fáceis para ninguém”.​ Christine Oumières-Widener liderou a companhia. aérea de junho de 2021 até ser demitida dois anos depois. Já ontem, terça-feira, foi conhecida a decisão do Tribunal da Relação de Lisboa que confirmou que o processo movido por Christine Ourmières-Widener contra a TAP deve ser julgado no tribunal cível, rejeitando o recurso da companhia aérea sobre a competência do tribunal. No entanto, a ação principal continua sem desdobramentos. Em questão está a ação movida por Christine Ourmières-Widener, que contesta a exoneração por justa causa anunciada em março de 2023 pelo Governo, na sequência do parecer da Inspeção-Geral de Finanças sobre a indenização de 500 mil euros paga a Alexandra Reis. Com essa decisão, o processo avança para julgamento no tribunal cível, e ainda não há data para o início, onde será apreciado o pedido de indenização de 5,9 milhões de euros apresentado pela ex-presidente executiva, valor que é contestado pela companhia aérea. O Tribunal da Relação de Lisboa confirmou que o processo movido por Christine Ourmières-Widener contra a TAP deve ser julgado no tribunal cível, rejeitando o recurso da companhia aérea sobre a competência do tribunal. Lusa | 18:17 – 16/02/2026

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