Angola principal destino africano de crédito sueco com 1,2

Em entrevista à Lusa, o embaixador da Suécia em Angola, Lennart Killander Larsson, disse que os financiamentos são concedidos através do sistema sueco de crédito à exportação, apoiando simultaneamente o desenvolvimento de Angola e a internacionalização das empresas suecas. Ressaltando que esse mecanismo constitui uma “prioridade muito grande” para Estocolmo, o embaixador disse que essas empresas atuam principalmente nos setores de energia, transporte e telecomunicações, alinhadas às prioridades do governo angolano. Um dos maiores projetos financiados até agora é o parque solar fotovoltaico na província de Benguela, avaliado em 570 milhões de euros, com tecnologia da empresa sueca Hitachi Energy (ex-ABB) que contou com a parceria de cerca de 20 pequenas empresas e foi construído pela portuguesa MCA. Segundo Lennart Killander, essa infraestrutura “dá eletricidade, energia para mais de dois milhões de angolanos” e demonstra como a cooperação bilateral pode realmente “ajudar o povo angolano”. De acordo com as estatísticas oficiais suecas, Angola vem se consolidando como um mercado relevante para as exportações da Suécia na África subsaariana. Após uma forte queda entre 2016 e 2020, as exportações se recuperaram entre 2021 e 2025, refletindo uma melhora gradual no ambiente econômico angolano, e atingiram 430 milhões de coroas suecas no ano passado (cerca de 40,4 milhões de euros). Máquinas e equipamentos foram o principal produto exportado, num total de 175 milhões de coroas (16,5 milhões de euros), incluindo peças para turbinas e equipamentos para mineração e construção. Seguem-se produtos metálicos no valor 49 milhões de coroas (4,6 milhões de euros), veículos automóveis com 37 milhões de coroas (3,5 milhões de euros) e equipamentos elétricos, com 31 milhões de coroas (2,9 milhões de euros). Já as importações suecas de Angola são dominadas por petróleo e derivados. Houve importações significativas de petróleo em 2023 (846 milhões de coroas, ou cerca de 79,5 milhões de euros), valor que caiu em 2024 e novamente entre janeiro e novembro de 2025, quando caiu para cerca de 152 milhões de coroas (14,3 milhões de euros). O Corredor do Lobito, considerado uma das principais infraestruturas estratégicas para o escoamento de minerais críticos da África Austral, também está no radar das empresas suecas, embora ainda sem investimentos concretos. Segundo o diplomata, empresas como Volvo e Ericsson estão acompanhando o projeto e avaliando oportunidades. “O Corredor do Lobito é muito importante, é importante para Angola e muito importante para as empresas da Suécia também”, disse Killander, apontando o potencial em áreas como transporte e telecomunicações. Apesar do interesse ser crescente, o embaixador considerou que o ambiente de negócios angolano continua apresentando dificuldades, especialmente para pequenas e médias empresas, essencialmente pela burocracia. A Suécia foi um dos primeiros países a reconhecer Angola após a independência, em 1975, e desde então mantém uma relação econômica e política próxima. Segundo Lennart Killander, a cooperação deve continuar centrada em setores tradicionais, mas com novas áreas emergentes, como a saúde que pode ganhar importância crescente. “Estamos olhando mais também para a área de saúde, porque é uma coisa importante aqui e nós temos muito a oferecer”, afirmou. O embaixador também destacou o potencial da futura fábrica de montagem de ônibus Volvo em Angola, em parceria com a Opaia Motors, considerando que esse projeto representa uma mudança no modelo tradicional de cooperação, baseado apenas na exportação. “Normalmente Angola só compra, nesse caso a Suécia só exporta, mas isso faz muito mais, porque significa que o Volvo vai fazer parte da formação de técnicos”, disse, acrescentando que a unidade poderá montar “quase mil ônibus por ano”, eventualmente para exportação regional. Para Lennart Killander, essa evolução reflete uma relação bilateral mais voltada para o investimento produtivo e a transferência de conhecimento, após cinco décadas de cooperação. “Não só para olhar para trás, mas para olhar para os 50 anos no futuro”, disse, ressaltando que as empresas suecas têm uma “visão muito positiva” sobre Angola e veem um potencial crescente em um mercado que consideram estar em melhoria gradual. Além da cooperação econômica, o diplomata destacou o papel da cultura na aproximação entre os dois países. “Estamos tentando trabalhar mais na área de cultura em setores como o cinema”, indicou o diplomata. Leia Também: Angola registra diminuição de 75 por cento de casos de cólera em janeiro



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