Calçado técnico impulsiona exportações e sobe 14,5% para 213

Calçado técnico impulsiona exportações e sobe 14,5% para 213

“No último ano crescemos fundamentalmente no calçado mais técnico e o calçado de couro estabilizou, por isso é normal que o preço do calçado português nos próximos anos diminua”, disse o diretor executivo da Associação dos Industriais do Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos (APICCAPS) aos jornalistas à margem da feira internacional Micam. A feira acontece entre hoje e terça-feira, em Milão, no norte da Itália, com a participação de 39 empresas portuguesas. Paulo Gonçalves indicou que, à medida que a indústria calçadista nacional amplia a oferta para outros segmentos do mercado e outros materiais técnicos, como calçados impermeáveis ​​ou em plástico, “naturalmente vai diminuir a dependência do calçado de couro e, logo, o preço médio (do calçado exportado) vai diminuir”. “Não é drama nenhum, é uma estratégia absolutamente concertada”, ressaltou, explicando que traduz a opção estratégica do setor em “diversificar a oferta” e alcançar novos nichos de mercado que foram surgindo. Assim, se as exportações de calçados de couro registraram no ano passado um crescimento leve de 0,2%, para 1.413 milhões de euros, o calçado de características técnicas aumentou 14,5%, para 213 milhões de euros. Dentro do calçado técnico, destacou-se o crescimento de 25% do segmento “outro calçado de plástico” e de 6,6% do “calçado em materiais têxteis”, enquanto o ‘calçado de segurança’ aumentou 14,1%. A diminuição da participação do calçado de couro – material nobre com preços de venda mais altos – resultou em uma ligeira queda, de 25 centavos, do preço médio por par de calçados exportados por Portugal entre 2024 e 2025, de 25,54 euros para 25,29 euros. Ainda assim, Portugal se destaca entre os grandes produtores de calçados com o segundo maior preço médio a nível internacional. No total, Portugal exportou em 2025 cerca de 68 milhões de pares de calçados, no valor de 1.718 milhões de euros, registrando um crescimento de 0,8% em valor em relação ao ano anterior. Um desempenho que, para a APICCAPS, “assume particular relevância em um cenário em que os principais concorrentes enfrentaram quedas de produção e exportação”, com quedas nas exportações superiores a 10% em países como China (-11%) ou Turquia (-13%) e recuos em ‘players’ relevantes como Brasil (-2%), Espanha (-3%), Itália (-1%) e México. “Nossos concorrentes diretos, Itália e Espanha, recuaram em 2025, enquanto Portugal terminou o ano com um registro positivo, mas em um contexto sempre de grande dificuldade, porque para todos os efeitos a economia europeia está relativamente estagnada, em particular nossos dois grandes mercados, que são Alemanha e França”, disse Paulo Gonçalves. Por sua vez, os Estados Unidos tiveram “um comportamento completamente errático, porque não só do ponto de vista econômico estão crescendo relativamente pouco, como as políticas cambiais e sua indefinição penalizaram em 2025 fortemente nosso setor e não se sabe o que pode acontecer em 2026”, disse. Ainda assim, o líder associativo garantiu que a aposta do outro lado do Atlântico é para manter: “Os Estados Unidos são nosso mercado futuro, com o maior potencial de crescimento, então vamos continuar reforçando nossas atividades no mercado americano”. A esse respeito, o diretor executivo da APICCAPS destacou a importância dos investimentos que o setor vem fazendo no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), especificamente na área de bioeconomia e, em especial, em termos de inovação produtiva, com o projeto FAIST – Fábrica Ágil, Inteligente, Sustentável e Tecnológica e o investimento de 60 milhões de euros em automação e robótica. “Hoje temos empresas com maior capacidade de responder, nomeadamente, a grandes clientes americanos, algo que não tínhamos condição de fazer no passado recente”, ressaltou. Os quatro milhões de euros de apoio à internacionalização do calçado relativos a 2025 chegam às empresas “nas próximas semanas”, avançou hoje o diretor executivo da associação setorial. Lusa | 14:08 – 22/02/2026

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