Quase 50 explorações suinícolas ainda sem eletricidade

Quase 50 explorações suinícolas ainda sem eletricidade

“No dia 28 de fevereiro, completará um mês que várias granjas de suínos permanecem sem acesso à rede elétrica, recorrendo a geradores para se manterem em operação e acumulando prejuízos diários devido ao impacto da tempestade Kristin”, diz um comunicado. Segundo a Federação, no município de Leiria, onde se concentra 20% da produção suinícola nacional, “a situação hoje é pouco melhor do que no dia da tempestade”. Segundo a entidade, “hoje ainda há 48 explorações no concelho de Leiria sem acesso à rede elétrica”, numa área que abrange as freguesias de Colmeias e Memória, Janardo, Regueira de Pontes, Santa Eufémia e Boavista, Bidoeira de Cima, Milagres e Ortigosa, num perímetro superior a 100 quilómetros (km) quadrados, indicou. O presidente executivo da EDP, Miguel Stilwell d’Andrade, disse hoje que o grupo já restabeleceu a energia para 100% dos clientes afetados pelas tempestades. “Já recuperamos 100% dos clientes, restando apenas algumas situações específicas que serão resolvidas muito em breve, mas penso que o pior já passou”, afirmou Miguel Stilwell d’Andrade, na conferência telefónica com analistas no âmbito da apresentação dos resultados de 2025. “Foi com estupefação” que a FPAS recebeu esta declaração, “na medida em há ainda uma região com a dimensão territorial superior a San Marino que se encontra por resolver”, indicou. “Consideramos as declarações do Sr. presidente executivo da EDP ofensivas para milhares de famílias e centenas de empresas que são por si reduzidas a ‘algumas situações específicas'”, lamentou, acrescentando que são também milhares de animais “mais de 10 mil”, que estão “há um mês a ser criados em condições precárias no que respeita aos sistemas de alimentação automática, ventilação e aquecimento”. A FPAS interpreta as declarações do gestor “como uma tentativa de o país esquecer quem ainda vive na calamidade e, sobretudo, de se esquecer do total fracasso que está a ser a atuação da EDP e da E-Redes, não só no restabelecimento integral da rede elétrica, como no desprezo que sistematicamente vai revelando na relação com os seus consumidores”. A Federação garantiu que não houve, “até o dia de hoje, uma única comunicação sobre o andamento da restauração da rede ou uma previsão do tempo que essa operação levará”, o que produz “um impacto econômico ainda maior nas empresas que se veem na circunstância de renovar contratos de aluguel de geradores por tempo indeterminado”. A E-Redes disse hoje que a recuperação do fornecimento de energia nas áreas afetadas pelo mau tempo está “praticamente concluída”. Em declaração enviada à Lusa, a E-Redes, que faz parte do grupo EDP, disse que “a recuperação do fornecimento de energia” na sequência da depressão Kristin está praticamente concluída, persistindo “apenas alguns casos mais pontuais, que continuam a ser resolvidos”. Leia Também: Mais de 200 clientes sem luz no município de Leiria

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