Meio ano depois ainda estão em desenvolvimento processos de

Meio ano depois ainda estão em desenvolvimento processos de

“Os processos estão atualmente em diferentes fases de regularização, em função da natureza e da evolução clínica de cada situação: em alguns casos, já foram celebrados acordos indenizatórios; em outros, aguarda-se o recebimento de documentação legalmente necessária para formulação de proposta indenizatória”, indicou fonte oficial da Fidelidade, em resposta à agência Lusa. O elevador da Glória, muito procurado por turistas no centro de Lisboa, descarrilou no dia 3 de setembro, com uma das duas cabines colidindo violentamente contra um prédio, causando 16 mortes e mais de 20 feridos, entre portugueses e estrangeiros de várias nacionalidades. Após seis meses do acidente, fonte oficial da Fidelidade disse que “foram registradas 40 vítimas no total”, especificamente 16 mortes e 24 feridos, e ressaltou que permanece “um acompanhamento ativo e permanente” às ​​vítimas e respectivas famílias, “assegurando a regularização do sinistro nos termos legais aplicáveis”. A seguradora disse que, “em diversas situações relativas a vítimas com lesões corporais”, o processo está “ainda em fase de consolidação médico-legal”, sendo necessário aguardar a estabilização clínica para avaliação definitiva de eventuais incapacidades e posterior cálculo indenizatório. “Em respeito à privacidade e à proteção de dados pessoais e clínicos das vítimas, a Fidelidade não comenta situações individuais”, acrescentou. Sem adiantar dados concretos sobre os apoios já atribuídos às vítimas, a seguradora disse que, até o momento, foram assegurados e liquidados os encargos devidamente comprovados e enquadráveis ​​nas coberturas aplicáveis, nomeadamente despesas médicas, hospitalares, farmacêuticas, viagens, repatriamentos, serviços fúnebres e outras despesas resultantes do sinistro. A Fidelidade disse ainda que também procederá ao reembolso de custos de outras seguradoras que tenham adiantado despesas ao abrigo de contratos de seguro de saúde, acidentes de trabalho ou seguros de viagem, encontrando-se esses apuramentos “ainda em curso”. Lembrando que o capital segurado contratado com a Carris é de 50 milhões de euros, a seguradora disse que “a liquidação integral do sinistro será conduzida nos termos legais, com rigor técnico e humano, independentemente do tempo necessário para a conclusão de cada processo”. Nesse contexto, a Fidelidade criou uma comissão técnica independente para “assegurar a avaliação especializada de danos pessoais e a validação da respectiva quantificação indenizatória, reforçando a transparência, a equidade e a confiança em todo o processo”. Em resposta à Lusa, a empresa municipal Carris, que tem como acionista única a Câmara de Lisboa, disse que tem estabelecido contatos com as vítimas e/ou respetivas famílias, além do trabalho que está a ser desenvolvido pela seguradora Fidelidade. Segundo a Carris, “mantêm-se em curso o inquérito interno, as auditorias externas e uma estreita colaboração no âmbito do inquérito promovido pelo GPIAAF (Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários)”. A Carris destacou ainda a “participação ativa” no processo da comissão técnica independente para a reabertura dos elevadores e ascensores da cidade de Lisboa, suspensos “imediatamente” após o acidente, prevendo a reabertura do funicular da Graça “em abril” após se confirmarem “as boas condições estruturais e operacionais do equipamento”, enquanto os ascensores da Bica e do Lavra continuam sob avaliação. A Lusa solicitou uma entrevista com o presidente da Carris, Rui Lopo, nomeado há três meses após a demissão de Pedro de Brito Bogas, e pediu um ponto de situação à Câmara de Lisboa, aguardando ainda uma resposta. Pedro de Brito Bogas pediu demissão na sequência das conclusões do GPIAAF, que revelou que o cabo que unia as duas cabines do elevador da Glória, e que cedeu, não respeitava especificações nem era certificado para transporte de pessoas. A agência Lusa também questionou o advogado Ricardo Serrano Vieira, que representa a MNTC — Serviços Técnicos de Engenharia, Lda, empresa externa contratada pela Carris e responsável pela manutenção do elevador da Glória, que indicou que o processo ainda está em fase de inquérito pelo Ministério Público. A este propósito, a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT), que tinha anunciado um relatório após uma ação de supervisão ao acidente, recuou na decisão, na sequência das conclusões do GPIAAF e de restantes entidades envolvidas, por considerar “estarem esclarecidas as principais questões” e por entender “não serem necessárias diligências adicionais”, segundo explicou à Lusa. Leia Também: Funicular da Graça, em Lisboa, reabre em abril após conclusão de vistoria

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