Conflito no Irão deixa centenas de viajantes retidos, dizem

Em resposta a perguntas da Lusa, o presidente da APAVT, Pedro Costa Ferreira, indicou que ainda está a ser recolhida informação “que é ela própria muito dinâmica”, mas pode afirmar que haverá “mais de mil pessoas com dificuldades em regressar, quer por estarem na zona do conflito, quer por terem itinerários de regresso que incluem espaço aéreo condicionado”. Por sua vez, Miguel Quintas, presidente da ANAV, disse que, segundo contatos diários com clientes, eles estimam “que haja algumas centenas de pessoas nas áreas afetadas (entre 400 a 500 pessoas)”, e “muitos desses portugueses ‘não-clientes’ de agências de viagens” têm pedido apoio para informações de reservas e voos. “O repatriamento será realizado assim que os voos possam chegar e sair das áreas afetadas pela guerra, sempre dentro da máxima segurança, e temos conhecimento de alguns voos esporádicos já foram realizados de Abu Dhabi e Dubai”, indicou. O presidente da APAVT disse que “as agências de viagens estão, naturalmente, a acompanhar todos os seus clientes, com o objetivo de controlarem as condições da estada, bem como de programarem os regressos, de acordo com o espaço aéreo aberto em cada momento”, encontrando-se em contacto com a Secretaria de Estado das Comunidades e integrando um Gabinete de Crise na Confederação Europeia das Agências de Viagens. Já o presidente da ANAV alertou para o aumento de custos com viagens, levando em conta o contexto. “Se a instabilidade se prolongar no tempo é muito provável que os preços aumentem para os destinos fora da zona de conflito”, devido à aviação, com os custos dos desvios de rotas e devido ao pacote turístico, por causa da “necessidade de se realizarem novas contratações de alojamento. A procura crescente para novos destinos, “os custos operacionais de contratação e seguros, podem também levar ao aumento dos respetivos preços”. O presidente da APAVT, por sua vez, apontou pressão sobre os preços “sobretudo por capacidade reduzida e necessidade de reacomodar passageiros em alternativas”, o que tende “a se traduzir em condições comerciais mais voláteis e, em alguns casos, aumento de preços nas opções remanescentes”. Pedro Costa Ferreira apontou ainda cancelamentos, indicando desde logo que “há partidas para os próximos dias, que estão prejudicadas por falta de condições nos destinos e/ou por dificuldades de cumprir a viagem, pelo condicionamento atual do espaço aéreo, por sua vez, destacou que “as agências estão a registar um aumento relevante de pedidos nas últimas 48 horas, sobretudo adiamentos e remarcações (mais do que cancelamentos efetivos)”. o presidente da ANAV, “a causa principal é a incerteza operacional”, com aeroportos e rotas condicionados, assim como “alterações de percurso e risco de ligações perdidas”. Ainda de acordo com Miguel Quintas, “os destinos mais afetados são os do corredor de risco e, sobretudo, os ‘hubs’ que multiplicam itinerários: Dubai, Doha, Abu Dhabi, e também Tel Aviv, Beirute e Riad (estes via escalas)”. O presidente da ANAV destacou que se pode esperar um “efeito psicológico” em “alguns pedidos para o Mediterrâneo Oriental, com busca de alternativas mais a oeste”. Quanto às perspectivas para os próximos meses, o presidente da APAVT apontou que “dependem da evolução do conflito e das restrições de espaço aéreo e operações”, apontando para já, um “cenário de elevada incerteza e provável volatilidade nas próximas semanas, com impacto direto nas rotas que dependem do corredor do Médio Oriente”. O presidente da ANAV, ainda que reconhecendo que se “desconhece a dimensão e o tempo que durará o conflito”, alertou que se “os eventos se prolongarem no tempo, é possível que surjam destinos de substituição”. Para Miguel Quintas, a maior probabilidade passa por troca por voos de longa distância para destinos “neutros em segurança”, como Caribe, Sudeste Asiático, Oceano Índico, “para públicos que querem reduzir exposição a corredores aéreos sensíveis e desejam luxo”. Outra opção será troca de “região por região”, ou seja, “quem ia para Golfo/Levante poderá optar por Turquia, Grécia e eventualmente Chipre e parte do Egito. Menos provável será uma troca por “sol e praia seguro”, para Espanha, Ilhas Canárias, Portugal, Marrocos, Tunísia. Leia Também: “Vai ser inevitável o aumento da inflação”, admite CEO da NOS



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