“Sempre que o mundo treme, pagamos a fatura”: O impacto por

A escalada de conflitos no Oriente Médio expõe a vulnerabilidade de Portugal a choques externos e para os quais o país não se prepara “devidamente”, considera Carlos Brito, presidente da Ordem dos Economistas – Norte. Em declarações ao Notícias ao Minuto, explica também o economista que os portugueses vão sentir na carteira o impacto desta guerra, desde logo porque se espera uma aceleração da taxa de inflação. “É preciso ter em mente que Portugal continua a ser uma economia importadora líquida de energia. Sempre que o mundo treme, pagamos a fatura. A inflação, que vinha a aproximar-se dos 2%, pode voltar a acelerar. E quando a energia sobe, sobe praticamente tudo, desde os transportes aos alimentos, passando pelos bens industriais”, faz notar Carlos Brito. O economista considera que a “guerra no Irã não é apenas mais um conflito distante no mapa”, mas sim uma “chamada de atenção muito clara de que Portugal continua excessivamente vulnerável a choques externos que não controla e para os quais nem sempre se prepara devidamente”. O impacto em Portugal “Não tenho dúvidas de que a atual escalada militar no Oriente Médio acrescenta um novo fator de instabilidade que atinge diretamente economias abertas como a portuguesa. É muito improvável que tenhamos tropas no terreno, mas sentiremos os efeitos nas famílias, nas empresas e nas finanças públicas”, antecipa Carlos Brito. Aliás, os primeiros sinais serão sentidos já na próxima semana, quando os motoristas vão aos postos abastecer seus carros, já que os dados até o momento – que ainda podem mudar – apontam para uma forte alta nos preços. “O primeiro impacto é energético e irá fazer-se sentir no imediato. O risco de bloqueio no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, basta para desencadear especulação e subida de preços. Em poucos dias, o petróleo aumentou cerca de 5% e o gás mais de 30%. Estes números não são abstratos: vão traduzir-se em combustíveis mais caros, faturas energéticas mais elevadas e custos de produção acrescidos”, sublinha o economista. Quais serão as áreas mais afetadas? É importante destacar também que o “problema não é apenas energético”, já que a “nossa economia depende fortemente do comércio internacional” e “perturbações no Golfo Pérsico significam seguros mais caros, rotas desviadas e disrupções nas cadeias de abastecimento”. A consequência? “Para muitas PMEs exportadoras, isso significará margens menores e menor previsibilidade”, explica Carlos Brito. “A questão da imprevisibilidade é importante. Com efeito, a incerteza geopolítica é uma espécie de bomba-relógio que poderá ter impactos profundos no longo prazo na medida em que tenderá a adiar decisões de investimento. A formação bruta de capital irá, portanto, desacelerar, o que significa que os tão necessários ganhos de produtividade voltarão a ficar para mais tarde. As previsões de crescimento para 2026 dificilmente escaparão de revisões para baixo se o conflito se prolongar. O que significa menor criação de riqueza e finanças públicas menos saudáveis”, aponta. Em declarações ao Notícias ao Minuto, Carlos Brito refere ainda que, “por outro lado, com a pressão inflacionista as taxas de juro poderão vir a aumentar, com todos os efeitos negativos daí decorrentes ao nível do crédito à habitação na medida em que as prestações irão ficar mais caras”. Duração do conflito é a chave O chefe da Ordem dos Economistas – Norte também esclarece que o “maior risco não é o choque imediato, mas a duração do conflito”. “A economia portuguesa não cresce de forma robusta há décadas. Sempre que surge instabilidade internacional, ficamos mais expostos às nossas fragilidades estruturais: baixa produtividade, dependência energética e especialização excessiva em setores sensíveis à conjuntura”, considera, dando como exemplo o turismo, que é responsável por cerca de 12% do PIB e “poderá ressentir-se caso a instabilidade global afete fluxos internacionais e custos da aviação”. Nem tudo são más notícias e também há pontos fortes O economista também faz sobressair que este conflito mostra que a “aposta nas energias renováveis revelou-se uma decisão estratégica acertada”, porque “quanto maior a instabilidade geopolítica associada aos combustíveis fósseis, mais evidente se torna a importância da autonomia energética” e, “aqui, Portugal pode ter uma vantagem relativa”. “Além disso, em um mundo fragmentado, a posição atlântica pode ganhar relevância. O país poderá se firmar como plataforma logística e industrial segura dentro da União Europeia. Mas isso exige estratégia, visão e investimento e não apenas circunstância geográfica”, conclui Carlos Brito. Enquanto isso, algumas campainhas vão soando: O Banco Central Europeu (BCE) já alertou que a taxa de inflação pode acelerar por causa do conflito no Oriente Médio e, por aqui, o governo também já avisou que o aumento do preço do petróleo “não é uma boa notícia”. O Banco Central Europeu (BCE) já alertou que a taxa de inflação pode acelerar devido ao conflito no Oriente Médio e, por aqui, o governo também já avisou que o aumento do preço do petróleo “não é uma boa notícia”. Beatriz Vasconcelos com Lusa | 07:35 – 03/04/2026 Leia Também: É melhor abastecer agora? Combustíveis podem disparar e isto é o que se sabe



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