Perspetivas da economia europeia? “Claramente definidas”

Perante dessa situação, Guindos advertiu que o BCE (Banco Central Europeu) tem que trabalhar em diferentes cenários para a economia europeia, dependendo da duração do conflito desencadeado pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã no último sábado e se este se tornar “mais global”. “O cenário básico é que será um conflito curto e o outro é que seja mais longo, mais prolongado do que esperávamos”, explicou Guindos em evento organizado pelo Fórum de Finanças Internacionais, em Bruxelas. Nesse sentido, Guindos precisou que o BCE prestará atenção ao definir sua política monetária à evolução dos preços e à possível mudança nas expectativas de inflação, que associou em particular à duração do conflito. “Se for mais duradouro, então há um risco de que as expectativas de inflação mudem”, alertou. No entanto, o vice-presidente do BCE ressaltou que, “até agora”, a reação dos mercados ao conflito tem sido “ordenada”, com valorização do dólar e ligeiro aumento da taxa de juros dos títulos soberanos. Ele lembrou que, antes do conflito, a economia europeia havia se mostrado “mais resiliente do que o esperado”, com mínimos históricos de desemprego, evolução positiva da inflação e balanço de risco “equilibrado”, por isso defendeu que, nesse contexto, o nível de juros adotado pelo BCE “é o correto”. Quanto à estabilidade financeira no continente, Guindos indicou que as principais vulnerabilidades procedem das “muito altas” avaliações dos ativos e da visão “muito otimista” por parte dos mercados da economia global, que “talvez não seja real”. “Talvez o que ocorreu durante o fim de semana tenha sido uma espécie de sinal de alarme sobre o risco potencial que estamos analisando”, disse, referindo-se aos ataques contra o Irã. Outras vulnerabilidades procedem das entidades financeiras não bancárias e seus vínculos com o sistema bancário tradicional e da situação fiscal dos países europeus em um contexto em que devem aumentar seus gastos, em particular em defesa, e ao mesmo tempo garantir a sustentabilidade fiscal. “Vai ser a quadratura do círculo”, estimou. Neste sentido, Guindos defendeu, a título pessoal, a emissão de dívida conjunta por parte da União Europeia para financiar os gastos em defesa, de maneira semelhante ao que foi feito com o fundo de recuperação pós-pandemia. “Dada a prioridade que atribuímos ao gasto com defesa e as limitações orçamentárias, acho que isso deveria ser uma alternativa real”, propôs. Leia Também: Projeto Procultura mudou vida de milhares, diz Instituto Camões



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