“Blade lifter”: Sistema inovador transporta pás eólicas de

“Estamos vendo a instalação de uma pá de eólica. É a maior pá eólica que temos, no momento, em Portugal, são 85 metros de pá. É uma operação delicada, temos que ter muito controle do vento, da operação em si, dos guindastes”, disse o gerente de construção da Iberdrola Renewables Portugal, Giancarlo Pedro. O responsável falava aos jornalistas durante visita ao Parque Eólico Tâmega Norte, que a empresa está a construir entre Cabeceiras de Basto (distrito de Braga) e Salto, concelho de Montalegre (distrito de Vila Real). Giancarlo Pedro especificou que a operação leva mais de duas horas, desde a subida da pá pelo guindaste até sua instalação no ‘hub’, onde é preciso apertar 240 parafusos. É uma espécie de quebra-cabeça gigante, um sistema modular. Os aerogeradores chegam às peças no parque que são, então, montadas no local. A máquina tem 114 metros de altura de torre, chegando a 199 metros com a pá na vertical. Em termos comparativos, a torre Vasco da Gama, em Lisboa, tem uma altura de 145 metros. A torre é dividida em cinco tramos, depois a ‘nacelle’ onde está instalado o “coração do sistema” (gerador e todo o equipamento mecânico da turbina), e, por fim o ‘hub’ que acopla a ‘nacelle’ e onde encaixam as três pás. As pás vêm inteiras via Porto de Aveiro até Cabeceiras de Basto, e toda a logística de transporte obrigou a uma preparação “especial e demorada”. Até Cabeceiras o transporte é convencional, mas depois, até Salto, a subida de 13 quilômetros é feita usando o sistema ‘blade lifter’, um equipamento robusto, onde as pás são fixadas e que permite que elas girem, na vertical ou horizontal, através de um mecanismo hidráulico onde a pá é acoplada para transporte e atinge inclinações de até o máximo de 60 graus. É como uma espécie de elevador de pás. Esse sistema permite contornar curvas fechadas, inclinações e outros obstáculos, adaptando-se às estradas existentes. Para sua passagem, foi necessário efetuar algumas podas de árvores e, em alguns trecho, até a enterrar linhas de energia e de comunicações. O “blade lifter” é uma base de ancoragem da pá, instalada em um caminhão, que é operada por uma equipe de três pessoas. Ele anda a cinco quilômetros/hora e o percurso leva cerca de cinco horas para ser feito. Para causar menos constrangimento na circulação viária o transporte é feito duas vezes por semana e sobem três pás por vez. Também é acompanhado pela GNR, os horários foram ajustados para impactar o mínimo possível nas comunidades, nomeadamente, por exemplo, nos ônibus escolares e ainda há acessos alternativos. “É uma atividade que requer todo um cuidado, tem uma equipe especializada só para trabalhar diretamente com esse equipamento”, ressaltou Giancarlo Pedro. A expectativa, acrescentou, é que todos os transportes, de cerca de 110 pás, sejam concluídos até o final de março, com a expectativa de que a produção de energia eólica no Parque Norte comece em junho. Giancarlo Pedro explicou ainda que cada aerogerador tem 7,2 megawatts de potência e que essas são máquinas de última geração. O projeto da Iberdrola Renewables Portugal está dividido em dois parques: o Tâmega Norte que está sendo construído entre Cabeceiras de Basto e Salto e tem 27 aerogeradores e, a cerca de 20 quilômetros de distância, o Tâmega Sul, onde serão montados 11 aerogeradores entre Ribeira de Pena e Vila Pouca de Aguiar. Este é, segundo a Iberdrola, o maior parque eólico de Portugal e é o “primeiro projeto” com conexão híbrida entre geração hidrelétrica e eólica, ficando ligado ao Sistema Eletroprodutor do Tâmega (SET), que inclui as centrais hidroelétricas e as barragens de Daivões, Gouvães e Alto Tâmega, situadas no distrito de Vila Real. A hibridização das tecnologias eólica e hidroelétrica possibilita o compartilhamento da mesma infraestrutura de conexão ao sistema elétrico, reduzindo os custos e minimizando os impactos ambientais. O Parque Eólico representa um investimento de 350 milhões de euros, a Iberdrola e prevê uma produção anual de 601 gigawatts/hora (GWh), equivalente ao consumo de 128 mil residências, ou seja, igual aos das cidades de Guimarães e de Braga. Segundo a empresa, também permitirá evitar mais de 230 mil toneladas de dióxido de carbono (CO2) por ano, contribuirá para a autonomia energética de Portugal e representa um “passo significativo” para alcançar os objetivos do Plano Nacional de Energia e Clima do país. Leia Também: Renováveis abastecem 81% do consumo de energia elétrica em fevereiro



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