Preços sobem na China ao ritmo mais alto em três anos

Preços sobem na China ao ritmo mais alto em três anos

Esse é o maior aumento desde janeiro de 2023 (2,1%), em um mês em que ocorreram as férias do Ano Novo Lunar neste ano, com as quais as autoridades contavam para estimular o consumo. A China está sujeita há alguns anos a pressões deflacionárias causadas pela fraca demanda interna, excedentes de produção, grave crise imobiliária e alto desemprego entre os jovens. Os produtores travam uma guerra de preços agressiva para incentivar as compras e reduzir os excedentes de estoque. O aumento de 1,3% é maior que as previsões de analistas consultados pela agência de notícias financeiras Bloomberg, que apontavam 0,9%. É também o quinto mês consecutivo de aumento do índice. Zichuan Huang, economista da Capital Economics, relativizou a alta dos preços, atribuindo-a a “fatores temporários, como a atenuação da deflação do petróleo e a volatilidade dos preços dos produtos alimentícios e do turismo em torno do Ano Novo”, escreveu em nota. “As tensões no Oriente Médio continuarão a alimentar a inflação enquanto os preços mundiais da energia permanecerem altos”, diz. No entanto, os resultados decepcionantes, segundo Zichuan, do evento político conhecido como Duas Sessões, atualmente em andamento em Pequim, no que diz respeito à demanda interna, “devem frear qualquer aceleração da inflação assim que as tensões se acalmarem”, advertiu. A economia chinesa busca retomar o dinamismo que tinha antes do início da pandemia da covid-19 em 2019-2020. Apesar da vitalidade das exportações e de um superávit comercial recorde de quase 1,2 trilhão de dólares (1,04 trilhão de euros) em 2025, enfrenta graves desequilíbrios estruturais e pressões comerciais dos Estados Unidos. O governo da China anunciou na semana passada que pretende atingir um crescimento entre 4,5% e 5% em 2026, a meta mais modesta estabelecida desde 1991. Estimular a demanda interna e reduzir a dependência das exportações é um dos desafios anunciados pelo governo e mencionados no Plano Quinquenal 2026-2030, atualmente em análise por milhares de representantes do regime reunidos em Pequim para as “Duas Sessões”. Naquela ocasião, o Governo estabeleceu uma meta de inflação de 2% em 2026. Nos últimos meses, as autoridades tomaram medidas para estimular os gastos das famílias, incluindo um programa de subsídios para produtos eletrônicos, eletrodomésticos e móveis, e contavam com o efeito impulsionador do Ano Novo Lunar, um período em que os chineses consomem e viajam mais. As férias atingiram uma duração oficial excepcional de nove dias. As autoridades haviam anunciado anteriormente novas medidas para incentivar as famílias a gastar, por exemplo, na forma de vales-compra. Leia também: Fragilidades econômicas da China abrem espaço para maior pressão da UE

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