Linhas de crédito estão a chegar a “número muito limitado”

Linhas de crédito estão a chegar a "número muito limitado"

“(…) As linhas de crédito criadas para apoiar as empresas afetadas estão a chegar a um número muito limitado de empresas. Em muitos casos, os processos continuam a ser tratados pelas instituições bancárias como operações de crédito convencionais, com exigências adicionais de garantias, incluindo hipotecas”, lê-se numa nota de imprensa enviada à agência Lusa. Segundo a nota, “esta abordagem contraria o objetivo das medidas de apoio excepcional e cria obstáculos adicionais às empresas num momento em que necessitam de respostas rápidas e eficazes”, referindo ainda serem “ainda poucas as empresas que, efetivamente, receberam os montantes solicitados”. A nota de imprensa surge quase seis semanas depois de a depressão Kristin ter atingido gravemente a região de Leiria, território onde muitas empresas “continuam sem respostas efetivas que lhes permitam recuperar dos danos sofridos e retomar plenamente a sua atividade”, e de uma reunião, para fazer um “ponto de situação das medidas de apoio anunciadas e identificar os principais constrangimentos”. Participaram da reunião as associações Empresarial da Região de Leiria/Câmara de Comércio e Indústria, de Comércio, Indústria, Serviços e Turismo da Região de Leiria, Empresarial do Concelho de Pombal e dos Industriais de Construção e Obras Públicas de Leiria e Ourém. Também estavam as associações das Empresas Metalúrgicas e Eletromecânicas, das Indústrias de Cerâmica e Cristalaria, da Indústria de Plásticos e da Indústria de Moldes, e também o Centro Tecnológico da Indústria de Moldes, Ferramentas Especiais e Plásticos. Outro problema identificado está relacionado aos “atrasos na atuação das seguradoras, em especial na realização de perícias presenciais e na disponibilização de adiantamentos relativos aos sinistros participados”. “Esses adiantamentos são fundamentais para permitir que as empresas iniciem rapidamente os trabalhos de reparo e recuperação de suas instalações e equipamentos”, sustentam. Por outro lado, a nota diz que um edital no âmbito do IFIC — Instrumento Financeiro para Inovação e Competitividade “apresenta limitações que podem impedir o acesso de muitas empresas afetadas aos apoios previstos”. Assim, as associações empresariais defendem a ampliação dos códigos de atividade econômica (CAE) elegíveis, a possibilidade de aceitação de autodeclaração de danos validada por contador público certificado ou revisor oficial de contas, o aumento do limite de obras de reconstrução para 50% do investimento elegível e a eliminação dos critérios relativos à contribuição para o crescimento das exportações e para a criação líquida de empregos. Essas entidades apontam que “o momento exige rapidez na execução das medidas, pragmatismo na sua aplicação e capacidade de adaptação à realidade das empresas”, alertando que os instrumentos criados só serão “eficazes se conseguirem responder às necessidades concretas de quem está no terreno reconstruindo instalações, recuperando equipamentos e retomando a atividade econômica”. Por outro lado, entendem ser fundamental trabalhar, em articulação com a Estrutura de Missão Recuperação da Região Centro do País, “com as autarquias da região e com as entidades do sistema científico e tecnológico, na definição de uma visão estruturada para a recuperação e o desenvolvimento da economia regional”, mas “essa visão de futuro exige que os problemas mais urgentes sejam resolvidos com rapidez”. Os subscritores também consideram fundamental que a Estrutura de Missão defina o modelo de “atuação concreta” que “pretende assumir com os agentes da região”. Leia Também: Irã? UE disponível para “facilitar retorno à mesa de negociações”

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