Lisboa deixa por satisfazer 12% dos pedidos de ‘slots’ para

Lisboa deixa por satisfazer 12% dos pedidos de 'slots' para

Em entrevista à Lusa, Pedro Ângelo explicou que, para a temporada de verão, foram apresentados pedidos de 164 mil ‘slots’, horários atribuídos às companhias aéreas para decolagens e aterrissagens nos aeroportos, tendo sido atribuídos 147 mil. “Foram feitos os pedidos para 164 mil ‘slots’, só foram satisfeitos 147 mil, e estou-me a referir só à estação de verão (summer IATA), que vai desde o último domingo de março até ao último sábado do mês de outubro”, afirmou o presidente do Conselho de Administração da empresa responsável pela gestão do tráfego aéreo em Portugal. A diferença corresponde a cerca de 12% dos pedidos que não puderam ser acomodados, refletindo, segundo o executivo, a saturação da infraestrutura do aeroporto Humberto Delgado. Dentro das faixas horárias atribuídas, acrescentou, “20 mil ficaram na lista de espera na expectativa da concessão de um ‘slot’ comercialmente mais viável”. A dificuldade em disponibilizar horários considerados mais atrativos para as companhias aéreas tem, na opinião dele, consequências econômicas. “A impossibilidade, neste momento, do aeroporto de Lisboa não poder oferecer as horas ‘premium’ a muitas operadoras tem penalizado, na minha opinião pessoal, muito o país e o turismo em particular”, disse. Segundo o executivo, várias companhias aéreas internacionais manifestaram interesse em operar para Lisboa, incluindo transportadoras do Oriente Médio, mas acabam esbarrando na dificuldade de obter horários comercialmente vantajosos. Ainda assim, ele disse que na temporada de verão 2026 estão previstas novas conexões, com a empresa brasileira Gol passando a voar para o Rio de Janeiro e a canadense WestJet iniciando operações para o Canadá. Apesar dessas novas rotas, Pedro Ângelo admite que a escassez de capacidade no principal aeroporto nacional pode estar limitando a captação de novas ligações aéreas para Portugal. No plano operacional, a NAV também se prepara para um novo verão de forte pressão sobre o sistema de navegação aérea, em um momento em que o tráfego continua a crescer. Segundo o presidente da empresa, o reforço de recursos humanos tem sido uma prioridade, em um contexto em que a escassez de controladores de tráfego aéreo é um desafio comum a vários países europeus. “Atualmente temos 385 controladores de tráfego aéreo, em um universo de cerca de 945 trabalhadores”, disse. A empresa vem reforçando a contratação de novos profissionais, com a admissão anual de cerca de 24 controladores, número condicionado à capacidade de treinamento interno. Para mitigar a falta de recursos nos últimos anos, a NAV também recorreu a medidas como a extensão da idade operacional dos controladores de 58 para 60 anos e o uso de horas extras. “Temos tido um consumo significativo de horas extras na empresa e é uma fraqueza que queremos mitigar”, reconheceu. Segundo Pedro Ângelo, o objetivo é reduzir gradativamente o uso de horas extras à medida que novos controladores entram na operação. Nesse sentido, ele disse que em 2025 conseguiram ” atingir uma estagnação no crescimento do número de horas de trabalho extraordinário que vinha sendo visto ao longo dos últimos anos”. “Acreditamos que, com o número de contratações que estamos promovendo e com a introdução de novos controladores na operação, conseguiremos no médio prazo mitigar esse tema de horas extras”, disse. Leia Também: Greve na Bélgica cancela 75% dos voos para quinta-feira

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