Motoristas acorrem às bombas para fazer frente à subida dos

Motoristas acorrem às bombas para fazer frente à subida dos

“Mãe, por que as bombas estão sempre cheias hoje em dia?”. A pergunta é feita por uma criança na faixa dos 10 anos, que vai a pé com a mãe junto a uma bomba de combustível da Prio, na Amadora, distrito de Lisboa. O relógio marca 11h43 e o cenário é de algumas filas de carros, ainda que sem grandes engarrafamentos, muito às custas da presteza de um funcionário que fica pedindo aos motoristas que se dirijam a determinadas bombas para “aliviar” o trânsito. À Lusa, o funcionário conta que o aumento da procura se começou a sentir a partir de quinta-feira, quando se começaram a antecipar as subidas dos preços e ainda antes de o Ministério das Finanças confirmar que o Governo iria avançar com um desconto de 3,55 cêntimos por litro no Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP) aplicável, no continente, ao gasóleo rodoviário. Fernando Lopes foi um dos motoristas que quis ‘jogar’ pelas antecipação e veio encher o tanque de diesel para tentar driblar a alta de preços que se avizinha a partir de segunda-feira, mas, apesar do aumento da procura não teve que esperar “muito”. “Achei que até ia esperar bem mais”, admite. Leonardo Francisco, que costuma vir “sempre” nessa bomba e está a poucos metros de um dos postos de combustível, também corrobora: “Estou aqui há apenas mais ou menos 10 minutos”, afirma, considerando que “é pouco tempo”. Nessa bomba de combustível, o preço do diesel comum está tabelado em R$ 1,694 por litro, enquanto o da gasolina comum a R$ 1,744/litro. Mas a perspectiva de alta de preços a partir da próxima semana (da ordem de 19 centavos para o diesel e de cerca de 7 centavos para a gasolina), impulsionada pela disparada dos preços do petróleo –que tocaram máximas de 2022 na esteira da guerra no Oriente Médio – preocupa alguns motoristas. “É um uso em relação à guerra porque não há nada que justifique essa enormidade de aumento”, diz Fernando Lopes. “Vamos ver o que vai dar. Pode ser que a guerra acabe logo”, completou Leonardo. Na bomba da Auchan em Alfragide, considerada um dos postos de abastecimento mais frequentados da Área Metropolitana de Lisboa, o diesel simples está a 1,619 euros/litro e a gasolina simples a 1,1679 euros/litro, e o cenário é idêntico: alguma afluência, mas sem grandes filas. João Moniz, que ao contrário dos outros motoristas ouvidos pela Lusa, diz que veio abastecer por estar “perto da bomba”. Supondo que seja frequentador assíduo desse posto, ele nota que “tem muito mais gente”. “A essa altura não costuma ter tanta gente”, completa. Assim como João Moniz, Beatriz Silva veio ‘colocar’ gasolina e ambos lamentam o fato de que esse tipo de combustível ficou de fora do ‘alívio’ do ISP, pelo fato de não se vislumbrar um aumento superior a 10 centavos por litro. “Tendo em conta que os preços da gasolina e do gasóleo já são tão caros em Portugal, se calhar também poderia ter havido aqui algum desconto também a nível da gasolina”, salienta a jovem condutora. Já Sara Ferreira, outra motorista ouvida pela Lusa junto à bomba em Alfragide e que também veio abastecer o carro a gasolina para contornar a subida dos preços, diz que nota o posto “um bocadinho mais cheio” e insta o Governo a “tomar mais medidas”. “As coisas já estão difíceis e subindo desse jeito não sei como vai ser”, desabafa. A posição foi corroborada por João Moniz: “levando em conta o contexto internacional e que haverá aumentos nas próximas semanas, deveria haver medidas” para frear os preços, que “sobem muito”, disse. Também Paulo Louro, que veio tentar poupar “alguma coisa”, se queixa da subidas dos preços, considerando que se trata de “manipulação de mercado”. “Desculpas e mais desculpas, mas quando passar a guerra vão continuar os mesmos preços”, atira, enquanto espera para abastecer na bomba da Prio, no Campo Grande, em Lisboa, instalando ainda o Governo a tomar “medidas assertivas” e a ajustar os preços. Alfredo Silva aproveitou para atestar enquanto os preços estão “um pouco mais em conta”, considerando que o alívio no ISP é “quase nada”. O Governo “deveria aliviar mais um bocadinho. Isso não é quase nada, praticamente”, aponta, referindo ainda que a afluência a esta bomba da capital está “mais ou menos como é costume”. “Achei que estivesse mais trânsito”, finaliza, ressaltando, no entanto, que pode ser “por ser hora do almoço”. Na sexta-feira, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, indicou que o governo continuará monitorando a evolução do preço dos combustíveis “nas próximas semanas”, sem excluir mais medidas em nível nacional e até ibérico. O diesel deve registrar um aumento mais acentuado na próxima semana – de cerca de 19 centavos – e o preço desse combustível vai superar o da gasolina, o que não acontecia desde o fim de 2022 Beatriz Vasconcelos | 17:50 – 06/03/2026

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