Lactogal estima queda nos lucros em 2025 para cerca de 10

Lactogal estima queda nos lucros em 2025 para cerca de 10

“Nossas contas não estão fechadas, mas não vamos conseguir atingir esses resultados pela disrupção que aconteceu no segundo semestre do ano. Esse ano vai ser difícil, um ano desafiador, exatamente pelo mesmo motivo”, disse o diretor Bruno Costa em café da manhã com jornalistas, em Lisboa. “Esse ciclo que começou no segundo semestre do ano passado não terminou”, disse, acrescentando que a Lactogal atua “como uma mediadora entre produção e distribuição”. Apesar de as contas não estarem fechadas, a empresa estima um aumento no faturamento de cerca de 1.100 para 1.200 milhões de euros, uma queda no resultado antes de impostos, juros, depreciação e amortização (EBITDA) de 70 para 40 milhões de euros e no lucro líquido de 35 milhões de euros para “10 ou 11 milhões de euros”. “Nosso grande desafio é como vamos entrar em um novo ano com mais uma ruptura geopolítica que não só já está afetando os preços dos combustíveis, mas também afeta os preços dos transportes marítimos e, por consequência, nos custos dos produtores”, acrescentou. Apesar da queda nos lucros, a também diretora Daniela Brandão apontou que os resultados em 2025 acabaram se aproximando do registrado em anos anteriores, como 2023, quando o lucro foi de R$ 8 milhões. Para essa diferença, a administradora também registrou o impacto da queda nos preços pagos ao consumidor, que caíram três em vez de seis centavos por litro. “Um centavo ao produtor são oito milhões de euros no mercado”, disse, acrescentando que apesar de um plano de investimento fechado, o grupo tem mecanismos internos de estabilização de preços junto aos produtores. Os diretores acrescentaram que nos últimos três anos, a Lactogal fez investimentos estruturais de 150 milhões de euros, uma média anual de 50 milhões de euros que pretende continuar até 2030. A administração do grupo também ressaltou a necessidade de transformar a indústria em Portugal para produzir produtos lácteos com maior valor agregado, como queijo ou iogurtes, dizendo que há infraestrutura instalada para a produção de leite, mas não de outros produtos. Apesar desse valor, o grupo não exclui novas aquisições, como a feita em 2024, quando comprou a Queijos Santiago. Daniela Brandão ressaltou a importância da produção ibérica e de Portugal se associar à Espanha para aumentar o valor de seus produtos. “Portugal ganha se estiver sob essa marca ibérica. Ganha em produtos agroalimentares. A Espanha é um país muito potente em termos de exportação do agroalimentar em nível global”, disse. O presidente da Lactogal, José Marques, lembrou que a fundação do grupo há 30 anos ocorreu fruto de “uma necessidade, porque foi no período em que distribuição se começou a organizar”. “Ainda bem que foi assim porque, pelo menos até hoje, conseguiu, de certa forma, se organizar a ponto de hoje ser o maior grupo lácteo ibérico”, disse. “Achamos que Portugal e a Península Ibérica têm situações muito parecidas e contextos muito idênticos, potencial de comercialização fora das fronteiras, um valor nutricional do leite que conseguimos exportar e, no fundo, temos que criar essa proposta de valor”, defendeu Bruno Costa. As exportações representaram 22% dos negócios da Lactogal e a Espanha foi o principal mercado, embora a administração do grupo tenha destacado a importância dos países de língua oficial portuguesa. Bruno Costa apontou que o grupo tem estado “numa ótica de diversificação de mercados” e de “busca de produtos de valor e exportar mais valor”. Daniela Brandão disse ainda que o setor tem muitos jovens capacitados trabalhando, mas que a principal limitação para a entrada de novos produtores está relacionada aos custos para novas instalações. “Investimento e risco são muito, muito altos”, disse a administradora, destacando a volatilidade dos mercados. No momento, ressaltou, a empresa vive ciclos de crise pelos preços mais baixos. “Estamos muito mais expostos do que as outras indústrias que vivem mais no curto prazo e trabalham só para os mercados locais”. Depois de os custos terem começado a subir em 2021 devido aos fertilizantes e energia, começou a verificar-se uma estabilização nos últimos anos e os custos para produzir um litro de leite, bem como as positivas condições climáticas a nível global nas principais zonas de produção, tornaram o leite “mais e mais barato”. Leia também: União Europeia estuda criar missão no Líbano, diz Kallas

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