Plano prevê aulas de literacia financeira no ensino superior

Plano prevê aulas de literacia financeira no ensino superior

“A ideia é desenvolvermos conteúdos formativos para as licenciaturas. Ainda não está completamente definido se será uma disciplina, se será uma optativa, se serão seminários”, disse à Lusa a administradora do Banco de Portugal (BdP) Francisca Guedes de Oliveira, acrescentando que essa definição terá de ser feita em conjunto com o Ministério da Educação. A administradora do BdP Francisca Guedes Oliveira, a vice-presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), Inês Drumond, e o administrador da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) Diogo Alarcão deram uma entrevista à Lusa a propósito do plano estratégico para 2026-2030 do Plano Nacional de Formação Financeira. Além dos alunos das escolas superiores de educação, o plano estratégico dos próximos cinco anos prevê mais formação em alfabetização financeira para quem já está na carreira de professor, para que estejam devidamente habilitados a dar esse módulo na disciplina de cidadania e sessões de formação voltadas para estudantes do ensino fundamental e ensino médio. Os supervisores financeiros também estão trabalhando em novos conteúdos a serem ensinados na disciplina de cidadania, disseram à Lusa. Questionados às críticas a esses conteúdos, de que focam apenas em noções de gestão de dinheiro (poupança, orçamento, consumo) e ignoram temas mais complexos como pobreza (caso do recurso ao crédito por salário insuficiente), desigualdades e funcionamento do sistema financeiro, Francisca Guedes Oliveira respondeu que nesses conteúdos está incluída uma discussão abrangente antes de se chegar a temas mais concretos. “Por exemplo, quando se fala em poupança, não se pode falar em poupança sem falar em geração de renda. Sempre há uma perspectiva muito integrada”, disse. Segundo explicou, os conteúdos são ministrados com uma “preocupação permanente de comportamento”, de explicar aos estudantes “o que é supérfluo e o que é que é essencial”. “Então, tem toda uma parte comportamental, de contexto, muito mais abrangente do que apenas os conteúdos objetivos, que talvez sejam os que estão plasmados nos cadernos”, completou. Já sobre se conteúdos de literacia financeira põem foco em excessivo no indivíduo, responsabilizando as pessoas por falta de literacia quando algo corre mal e desresponsabilizando o sistema, Diogo Alarcão disse que o objetivo não é estigmatizar, mas “responsabilizar no sentido de dar autonomia e capacidade de tomar decisões” mas que têm noção de que o sistema financeiro é complexo e com assimetria de informação entre as pessoas e as instituições/empresas. “A alfabetização financeira não é um fim em si mesma. A alfabetização financeira vai induzir a comportamentos e são esses comportamentos que vão permitir tomar as opções certas no momento certo”, disse. Sobre se os conteúdos dirigidos a estudantes abordam o tema dos ‘influencers’ (pessoas com um grande número de seguidores nas redes sociais) e dos investimentos financeiros que estes promovem, frequentemente enganosos, disseram que os conteúdos são focados em conceitos concretos, mas Inês Drumond admitiu que poderá fazer sentido incluir essa problemática. Além da formação em alfabetização financeira destinada a jovens, nos próximos cinco anos, os supervisores financeiros irão continuar a promover programas de formação financeira direcionados adultos, destacando o plano a formação destinada a grupos considerados vulneráveis ​​(pobres, desempregados, imigrantes e idosos). O Plano Nacional de Formação Financeira, lançado em 2011, é uma iniciativa conjunta do Conselho Nacional de Supervisores Financeiros (BdP – Banco de Portugal, ASF – Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões e CMVM – Comissão do Mercado de Valores Mobiliários), com o objetivo de aumentar a literacia financeira da população. A alfabetização financeira designa a capacidade de tomar decisões informadas sobre gestão de dinheiro. Segundo um estudo do Banco de Portugal, divulgado esta semana, Portugal regista níveis de literacia financeira próximos da média dos países do euro, mas as mulheres e os cidadãos com menores níveis de escolaridade e de rendimento estão abaixo desse patamar. Leia Também: “Investir em alfabetização financeira é investir no futuro do país”

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