Banco Mundial Aponta Aumento de 40% na Massa Salarial Após
advertisemen tO Banco Mundial considera que o setor público moçambicano não apresenta um número excessivo de trabalhadores, mas alerta para o forte crescimento da massa salarial na sequência da introdução da Tabela Salarial Única (TSU), em 2022, informou a Lusa. De acordo com a mais recente Atualização Econômica de Moçambique, divulgada nesta quarta-feira (25), o aumento da despesa com salários foi impulsionado essencialmente pela revisão das remunerações e não pelo crescimento do número de funcionários públicos. O relatório indica que, apenas entre 2021 e 2022, a massa salarial registrou um aumento de 40%, coincidindo com a implementação da TSU. A instituição destaca que parte desse crescimento decorre da integração de subsídios antes pagos de forma separada aos salários-base, o que contribuiu para elevar o valor global da folha de pagamento. Ainda assim, o número de trabalhadores do Estado manteve um ritmo de crescimento moderado, com uma média anual de 2,9% nos últimos seis anos, totalizando cerca de 357 mil funcionários em 2023. O documento também afirma que o peso da massa salarial no Produto Interno Bruto (PIB) aumentou de menos de 5% em 2000 para 15% em 2023, mostrando uma pressão crescente sobre as finanças públicas. Apesar disso, o Banco Mundial sustenta que o emprego público em Moçambique continua abaixo da média regional, representando 3,9% da população em idade ativa, ante uma média de 8,3% na África Subsaariana. A TSU foi introduzida com o objetivo de harmonizar salários, reduzir assimetrias entre carreiras e reforçar o controle dos gastos públicos. No entanto, sua implantação tem sido alvo de críticas de diversos setores do funcionalismo público, que apontam falhas no enquadramento salarial e atrasos no pagamento de benefícios, como horas extras. Dados anteriores do Governo indicam que a reforma implicou um aumento da despesa mensal com salários de cerca de 11,6 bilhões de meticais para 15,8 bilhões de meticais, refletindo um aumento significativo nos encargos do Estado. O Fundo Monetário Internacional também estimou que o custo total da medida atingiu aproximadamente US$ 410 milhões, acima das previsões iniciais. Diante desse cenário, o relatório do Banco Mundial defende a necessidade de fortalecer as reformas fiscais, de modo a assegurar a sustentabilidade das contas públicas e criar espaço fiscal para investimentos prioritários, em um contexto em que a consolidação fiscal se torna determinante para a estabilidade macroeconômica do país.



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