TSU Faz Disparar Salários, Dívida Interna Supera 6,5 MM€ e
advertisemen tA semana econômica em Moçambique foi marcada por uma pressão crescente sobre as finanças públicas, impulsionada pelo impacto da Tabela Salarial Única (TSU) e pelo agravamento da dívida interna. Dados recentes mostram um aumento significativo da massa salarial do Estado, em um contexto de altos riscos fiscais. Esse cenário levanta dúvidas sobre a sustentabilidade das contas públicas. De acordo com uma publicação da Lusa, o Banco Mundial considera que Moçambique não tem um número excessivo de funcionários públicos. Ainda assim, a instituição alerta para o forte crescimento da despesa com salários após a introdução da TSU, em 2022. Esse aumento é resultado, principalmente, da revisão da remuneração. Segundo a mais recente Atualização Econômica de Moçambique, divulgada na quarta-feira (25), a massa salarial do Estado cresceu 40% entre 2021-22. Esse aumento coincidiu com a implementação da TSU, tornando seu impacto rapidamente visível nas contas públicas. Assim, a pressão fiscal se intensificou de forma significativa. O Banco Mundial explicou que parte desse crescimento resulta da integração de subsídios, antes pagos de forma separada, aos salários-base. Essa mudança elevou o valor global da folha salarial do estado. Como consequência, o peso da despesa com pessoal no orçamento também aumentou. Apesar desse aumento de gastos, o número de funcionários públicos registrou um crescimento moderado nos últimos anos. A média anual foi de 2,9%, atingindo cerca de 357 mil trabalhadores em 2023. Esse dado confirma que a piora da despesa não está diretamente ligada ao número de funcionários. O relatório indica ainda que o peso da massa salarial no Produto Interno Bruto subiu de menos de 5% em 2000 para 15% em 2023. Esse crescimento mostra uma pressão cada vez maior sobre os recursos do Estado. Ainda assim, o nível de emprego público permanece abaixo da média regional. O Fundo Monetário Internacional (FMI) prepara o envio de uma nova missão ao País Dívida interna agrava pressão sobre o mercado Ao mesmo tempo, o Banco de Moçambique (BdM) alertou para o agravamento da dívida pública interna, que já ultrapassa os 6,5 bilhões de euros. Segundo a instituição, essa evolução está condicionando o funcionamento do mercado financeiro. O cenário reflete fragilidades persistentes na gestão fiscal. Em comunicado, após a reunião da Comissão de Política Monetária realizada na segunda-feira (23), em Maputo, o banco central afirmou que “o endividamento público interno continua a se agravar, condicionando o funcionamento do mercado financeiro”. Essa posição reforça os sinais de alerta sobre a situação econômica. A dívida interna, excluindo contratos de mútuo, locação e responsabilidades em atraso, aumentou 166 milhões de euros em relação a dezembro de 2025. Esse crescimento está associado a dificuldades de tesouraria do Estado. Como resultado, aumentam os constrangimentos financeiros no sistema. O BdM acrescentou que “persistem atrasos no pagamento da dívida pública interna pelo Estado, com impacto na fraca apetência por títulos públicos”. A instituição também destacou a rigidez dos juros no mercado interbancário. Esses fatores contribuem para reduzir a confiança dos investidores. No final de 2025, Moçambique acumulava atrasos no pagamento da dívida interna estimados em 63,2 milhões de euros, cenário que limita a capacidade de financiamento do Estado, agravando, ao mesmo tempo, a pressão sobre as contas públicas e o funcionamento do mercado. FMI prepara nova avaliação econômica para Moçambique Nesse contexto, o Fundo Monetário Internacional (FMI) prepara o envio de uma nova missão ao País. O objetivo é avaliar os desenvolvimentos econômicos recentes e as políticas adotadas pelo Governo. A iniciativa vem em um momento de crescente preocupação com a dívida pública. Segundo a porta-voz do FMI, Julie Kozack, “é provável que uma equipe do fundo vá a Maputo nos próximos meses para avaliar os desenvolvimentos econômicos e as políticas do governo”. O anúncio reforça a necessidade de acompanhamento internacional da economia moçambicana. Dados recentes do JPMorgan indicam que o ‘spread’ de Moçambique está em 1304 pontos-base. Este nível está associado a sérias dificuldades financeiras e acesso limitado a financiamento externo. Vale lembrar que o programa anterior do FMI terminou em abril de 2025. Texto: Felisberto Rucoa dvertisement



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