Legislação urbanística tem travado reanimação dos centros

Legislação urbanística tem travado reanimação dos centros

“Há alguns paradoxos que temos de ter a coragem de reverter. A legislação existente é, em alguns casos, obsoleta. E, em outros, ineficaz”, vincou Leonel Fadigas, uma das duas personalidades distinguidas hoje, em Castelo Branco, com o Prémio Nacional Memória e Identidade. Da mesma forma, o padre Joaquim Ganhão também foi agraciado com este prêmio concedido pela Associação Portuguesa dos Municípios com Centro Histórico (APMCH) que este ano escolheu a cidade de Castelo Branco para a entrega destes prêmios no âmbito da comemoração oficial do Dia Nacional dos Centros Históricos Portugueses que acontece no sábado. Leonel Fadigas agradeceu a atribuição deste prêmio que anualmente distingue personalidades que deram sua contribuição para a valorização da memória histórica e do patrimônio cultural nacional. “Esse prêmio não é pessoal. Foi construído com muita gente com quem trabalhei, discuti, aprendi e estudei. É o resultado de um esforço que resultou de olhar para o território”, disse. O agraciado ressaltou a importância da presença de pessoas nos centros históricos: “O mais importante são as pessoas”. Leonel Fadigas ressaltou que, se não houver uma reintrodução de pessoas e memórias nos centros históricos, “passa-se da história para a arqueologia”. Já o padre Joaquim Augusto Nunes Ganhão, diretor do Museu Diocesano de Santarém, também recebeu essa distinção. Contudo, não prestou quaisquer declarações públicas. Também estiveram presentes na solenidade o secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos, e o presidente do conselho da APMCH e também prefeito de Lagos, Hugo Pereira, além de diversas entidades, personalidades e prefeitos. O Prêmio “Memória e Identidade”, criado em 2012, em Angra do Heroísmo, tem como objetivo reconhecer personalidades cujo trabalho tenha contribuído de forma significativa para o conhecimento, a salvaguarda e a valorização dos centros históricos e da identidade cultural das cidades portuguesas. Desde sua criação, o Prêmio Nacional “Memória e Identidade” tem distinguido ao longo dos anos diversas personalidades de referência na área da cultura, arquitetura, história e salvaguarda patrimonial. Entre os premiados, destacam-se o arquiteto Siza Vieira, o pintor Júlio Pomar, os ex-presidentes da República António Ramalho Eanes e Jorge Sampaio, o escritor José Saramago ou o professor Vítor Veríssimo Serrão, entre outros. Leia Também: “Não há lugar para água” nas cidades portuguesas, alerta especialista

Publicar comentário