Pagamento ao FMI Visto Como “Desespero”, Crescimento Revisto

Pagamento ao FMI Visto Como "Desespero", Crescimento Revisto

advertisemen tA semana econômica em Moçambique foi marcada por leituras divergentes sobre a política fiscal do País, pela revisão para baixo das perspectivas de crescimento econômico e por polêmicas em torno de um relatório do Banco Mundial sobre a pobreza. Esses acontecimentos evidenciam um cenário de forte pressão externa e fragilidades internas da economia nacional. A consultoria britânica Oxford Economics avançou que o pagamento antecipado da dívida de Moçambique ao Fundo Monetário Internacional (FMI) não deve ser visto como prudência, mas como “um sinal de desespero”. Segundo a entidade, a decisão reflete a necessidade urgente de acesso a novos financiamentos externos. Segundo analistas citados em documento divulgado pela agência Lusa, a operação visa melhorar as condições de acesso a novos créditos. A consultoria também entende que o País busca reforçar sua posição de negociação junto ao FMI em um contexto de restrição financeira. As projeções indicam que um novo acordo de financiamento com o FMI poderá ser concluído no segundo trimestre de 2026. No entanto, esse cenário poderá elevar a dívida pública para cerca de 125% do Produto Interno Bruto, antes de uma eventual redução no médio prazo. A Oxford Economics acrescentou ainda que a operação contém alguma “ironia”, considerando as pressões orçamentárias e cambiais enfrentadas por Moçambique. Entre os fatores apontados estão o alto peso da dívida e a sobrevalorização da moeda nacional. Crescimento econômico revisto em forte baixa para 2026 pelo Banco Mundial O panorama econômico também foi marcado pelas novas projeções do Banco Mundial, que colocam Moçambique entre os países mais afetados dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP). A instituição revisou para baixo o crescimento do País para 2026. As previsões apontam queda de 3% para apenas 0,9%, refletindo choques externos e fragilidades estruturais internas. Trata-se de uma das revisões mais acentuadas na região africana de língua oficial portuguesa. Nos demais PALOP também houve revisões para baixo, embora menos expressivas. Angola deve crescer 2,4%, Cabo Verde 4,8% e São Tomé e Príncipe 2,9%, enquanto Guiné-Bissau aparece como exceção, com revisão para cima para 5,3%. Em paralelo à desaceleração econômica, o Banco Mundial estima uma inflação de 7,5% em Moçambique. Esse cenário poderá agravar o custo de vida e reduzir o poder de compra das famílias. Governo contesta dados do Banco Mundial sobre pobreza Outro ponto de tensão da semana está relacionado ao relatório do Banco Mundial que classifica Moçambique como o segundo país mais pobre do mundo. A divulgação gerou forte oposição das autoridades moçambicanas. A ministra da Fazenda, Carla Louveira, afirmou que os dados foram elaborados com base em estatísticas defasadas. Segundo a autoridade, as conclusões não refletem a realidade econômica atual do País. Carla Louveira chegou a considerar a classificação “obviamente falsa”, argumentando que ela coloca Moçambique em posição inferior à de países em conflito ativo. A ministra ressaltou ainda que os indicadores utilizados levantam sérias dúvidas metodológicas. Apesar das divergências, o relatório “Atualização Econômica de Moçambique: Da Fragilidade à Estabilidade” mantém o País sob forte escrutínio internacional. Texto: Florence Nhabindea dvertisement

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