“UE deve aumentar produtividade em vez de colmatar

O economista registrou que a União Europeia (UE) “atende totalmente” à definição do que é uma economia competitiva para a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e que, por isso, o necessário é aumentar sua produtividade. Em discurso no 11º Congresso Nacional dos Economistas, em Lisboa, o ex-governador do Banco de Portugal (BdP) registrou que, para isso, a UE precisa melhorar a eficiência energética pelo crescimento das energias renováveis e da energia nuclear e seu desempenho tecnológico por meio de políticas industriais inteligentes. Vítor Constâncio também sugeriu um aprofundamento da integração do mercado interno e a correção das políticas de concorrência para promover empresas tecnológicas de maior dimensão e aproveitar o aumento dos gastos com a defesa para desenvolver a indústria europeia. Quanto ao sistema financeiro, o economista defendeu um reforço, nomeadamente através da finalização da união bancária e da expansão significativa das obrigações europeias sem risco e “unificando os mercados acionistas nacionais”. “A Europa não tem unidade política suficiente para transformar o euro em moeda global ou para se tornar uma superpotência militar, mas pode garantir sua própria resiliência econômica e prosperidade, mesmo que permaneça abaixo — mas perto da fronteira tecnológica”, vaticinou. Vítor Constâncio apresentou dois cenários sobre o futuro da ordem internacional, que ele chamou de regimes multilateral renovado e multipolar fragmentado e que caracterizou, na mesma ordem, “mais otimista” e “mais provável”. O regime multilateral renovado pressupõe uma redução das tensões geopolíticas atuais a um regime negociado de “coexistência competitiva” que reduzirá a globalização. Ainda assim, admite cooperação para o progresso nas mudanças climáticas e na regulação da inteligência artificial (IA). “Os valores democráticos poderão se recuperar do recente declínio. A militarização e a competição pela dissuasão nuclear poderão se reduzir”, acrescentou. Este cenário também prevê uma reforma de organizações internacionais como Nações Unidas, Organização Mundial do Comércio e Fundo Monetário Internacional (FMI) para aumentar a representatividade de China e Índia, pelos seus crescimentos econômicos e demográficos, bem como a adaptação da UE a uma potência econômica com peso internacional. Nesse exercício, a China continuaria a crescer mais que os EUA “até o colapso demográfico previsto”. No regime multipolar fragmentado, Vítor Constâncio antecipa um declínio da globalização e uma tendência para blocos comerciais e financeiros, bem como choques significativos nos campos das mudanças climáticas e da inteligência artificial (IA). Ao mesmo tempo, também “os valores nacionalistas e autoritários continuarão a aumentar sua influência” e as armas nucleares contribuirão para um aumento da militarização. Ao contrário do outro cenário, este prevê que as organizações internacionais comecem a perder relevância e não assumam reformas significativas. A China deve crescer mais do que os EUA até o colapso demográfico e se tornará um poder regional, bem como a Índia. Em nível europeu, a previsão é de que a UE seja uma potência econômica, mas “o mais fraco dos poderes regionais, sem grande peso institucional”. O 11º congresso nacional de economistas começou hoje e vai até sábado, na Culturgest, em Lisboa. Leia Também: Excesso de ferramentas de IA pode “fritar” cérebro de trabalhadores



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