Crise na restauração: Estalou o verniz entre Banco de

Afinal, existe ou não tem crise na restauração? É caso para dizer que o verniz estourou entre o governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, e as associações do setor. Em questão está uma publicação de Santos Pereira nas redes sociais, que está gerando polêmica. A publicação (polêmica) de Santos Pereira O governador do BdP questionou, através de uma publicação na rede social X, a crise no setor da restauração, notando que este cresceu 69% em termos nominais desde 2019, graças à expansão do turismo e do aumento do consumo. “Nos últimos meses têm-se falado muito de uma eventual crise no setor da restauração, com os representantes do setor a pedirem ajudas públicas e descidas de impostos. Será assim? O que é que nos dizem os números? Vejamos então: Nos últimos anos, o sector da restauração cresceu bastante, graças à expansão do turismo e aumento do consumo. Desde 2019, a restauração cresceu 69% em termos nominais e 25% em termos reais. Esta tendência de crescimento continuou em 2025, embora de forma mais moderada. No entanto, em 2025, o faturamento em restaurantes aumentou 2,9% em termos nominais, em relação a 2024”, escreveu Santos Pereira. CRISE NA RESTAURAÇÃO?Nos últimos meses se tem falado muito de uma eventual crise no setor de restaurantes, com representantes do setor pedindo ajuda pública e rebaixamento de impostos.Será assim? O que é que os números nos dizem? Vejamos então: Nos últimos anos, o… pic.twitter.com/tkBUQGLTus — Alvaro Santos Pereira (@santospereira_a) April 20, 2026 Associação do setor reagiu, não concorda e deixa alerta A PRO.VAR – Associação Nacional de Restaurantes contestou, na segunda-feira, as afirmações do governador do BdP, cuja análise disse ser “manifestamente redutora” e alertou para o colapso da restauração tradicional. “A PRO.VAR refuta a análise do governador do Banco de Portugal e alerta para o colapso da restauração tradicional e manifesta sua total oposição à leitura feita pelo governador sobre a realidade do setor de restaurantes”, disse, em comunicado. No fim de semana, vale lembrar, a Associação de Hotéis e Restaurantes (AHRESP) também se mostrou apreensiva com o impacto do conflito no Oriente Médio sobre os preços e a demanda, e também lamentou que os apoios anunciados pelo governo em janeiro não tenham chegado às empresas do setor. A Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) reforçou hoje o apelo por medidas de apoio à restauração, considerando que as estatísticas agregadas não medem a crise que vive parte do setor. Lusa | 13:33 – 21/04/2026 Ainda segundo a PRO.VAR, a análise de Santos Pereira é “manifestamente reducionista” e não reflete a realidade, sendo baseada em números globais de um setor que não é homogêneo, nem “pode ser tratado como tal”. A PRO.VAR alertou para o fato de que misturar restaurantes tradicionais, redes organizadas, ‘fast food’ e restaurantes em supermercados leva a conclusões erradas e defasadas. Assim, ele ressaltou que o crescimento destacado pelo governador está fortemente concentrado em modelos de grande escala, com custos diluídos. “Esses modelos vêm ganhando espaço nos últimos anos (…), às custas da ‘ineficiência dos restaurantes tradicionais, e apresentam resultados positivos, contribuindo para distorcer os indicadores globais”, explicou. Em particular na restauração tradicional, os custos disparam em todos os componentes e as margens foram esmagadas, acrescentou a associação, ressaltando que as empresas não conseguem mais cumprir suas obrigações. “O setor está entrando em uma fase crítica de ruptura em sua cadeia de valor. O que está acontecendo é uma transformação estrutural, onde a restauração tradicional está progressivamente sendo substituída por modelos de escala (…). A PRO.VAR considera inaceitável que essa realidade seja ignorada”, disse. A associação reivindica assim a descida do IVA – Imposto sobre o Valor Agregado da alimentação para os 6%, a adaptação da TSU – Taxa Social Única “à realidade de um setor intensivo em mão-de-obra” e a implementação de um modelo forfetário de IVA, que permita equidade entre os modelos de negócio. “É preciso que o Governo demonstre capacidade, criatividade e vontade política para agir. Sem uma intervenção estrutural, o risco é claro, o desaparecimento progressivo da restauração tradicional”, finalizou. Leia Também: Governador do Banco de Portugal alerta para risco de estagnação na zona do euro



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