Crescimento chinês gerou “maior vaga de corrupção da

Durante seminário na Universidade de Macau, o economista descreveu que a corrupção no país está intimamente ligada a um modelo de crescimento baseado no investimento em grandes projetos de infraestrutura e imóveis. “Esse modelo gerou a maior onda de corrupção da história da humanidade”, afirmou Tao, destacando que esses investimentos maciços por parte de autoridades locais no país geraram oportunidades de excessos financeiros e “corrupção” entre membros do governo e empresários. Tao acrescentou que essas tendências se intensificaram após quatro rodadas de estímulo macroeconômico do governo chinês, depois de 2009, que contribuíram para a formação de uma “estrutura econômica complexa”, marcada por altos níveis de dívida local e uma bolha imobiliária acentuada. Segundo o economista, embora essa abordagem tenha proporcionado décadas de alto crescimento, também criou “distorções sistêmicas”, incluindo excesso de capacidade industrial, aumento das desigualdades e acúmulo de dívida. Dados apresentados pelo pesquisador durante o seminário mostram a dimensão do problema, com a dívida dos governos locais aumentando acentuadamente nas últimas duas décadas, passando de 10 trilhões de yuans (1,25 trilhões de euros) em 2010, para cerca de 105 trilhões de yuans (13,125 trilhões de euros) em 2022. O pesquisador sublinhou que a maioria dos empréstimos contraídos pelos governos locais foi gasta em projetos de infraestrutura descritos como “não convencionais” e “superdimensionados”, ou seja, além das necessidades da população. A China, descreveu o acadêmico, tem atualmente uma economia “ancorada no domínio estatal de setores estratégicos”, incluindo recursos, energia e indústrias-chave, juntamente com um sistema bancário que exerce “controle rigoroso sobre a alocação de crédito”. No entanto, essas características centralizadas coexistem com um setor privado competitivo focado na produção de bens de consumo orientados para a exportação, um motor essencial da integração da China na economia global, e que originou o chamado “modelo chinês” de governança. Um problema central, disse Tao, é o monopólio estatal sobre a oferta de terras, que se tornou uma importante fonte de receita para os governos locais, acumulando receitas significativas através da concessão de terras, ao mesmo tempo em que aumenta fortemente seu endividamento. No entanto, grande parte desses fundos foi canalizada para infraestruturas “desperdiçadoras ou superdimensionadas”, descreveu. O setor imobiliário do país, por muito tempo um pilar do crescimento, está agora sob pressão, com Tao apontando para a fraca demanda e a incerteza quanto ao valor futuro dos imóveis, apesar dos altos preços. “Agora a bolha imobiliária está estourando, ninguém quer comprar”, descreveu. Como possível solução, Tao propôs flexibilizar as restrições para permitir que indivíduos comprem diretamente terras do Estado para construir moradia própria, o que, segundo o professor, poderia estimular a demanda interna e reter capital. Essas reformas poderiam aumentar o crescimento econômico em cerca de 1,5% ao ano nos próximos cinco a dez anos, acrescentou. Apesar dos desafios, Tao afirmou que a China demonstrou capacidade de adaptação, apontando para o crescimento de plataformas digitais como a empresa de comércio eletrônico, Alibaba, e a plataforma de transporte Didi, que criaram empregos e reduziram o custo de vida. Ainda assim, ele alertou que a transição para um modelo de crescimento mais sustentável e inclusivo exigirá o desmantelamento de monopólios arraigados e um reequilíbrio do papel do Estado. Leia Também: 5 truques para se livrar das (chatas) moscas-das-frutas de vez



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