“Golpe duro” para cartel de petróleo: Emirados Árabes Unidos

Os Emirados Árabes Unidos anunciaram, nesta terça-feira, que deixarão a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e a Opep+ (que também inclui aliados, como a Rússia), avança o Financial Times, que classifica a decisão como um “duro golpe” para o cartel de petróleo. De sublinhar que os Emirados Árabes Unidos têm expressado, há vários anos, divergências com a OPEP, discordando muitas vezes das quotas de produção acordadas entre o cartel, que os impedem de exportar quantidades de petróleo mais elevadas. O mesmo jornal lembra que a decisão dos Emirados ocorre no momento em que o mundo enfrenta a maior crise energética em várias décadas, desencadeada pela guerra entre EUA e Israel contra o Irã e pelo fechamento do Estreito de Ormuz, local por onde passava cerca de um quinto do petróleo e gás do mundo. De acordo com a CNBC, a saída se torna efetiva a partir de 1º de maio. O barril de petróleo Brent continuava a subir hoje e, por volta das 12h20 em Lisboa, avançava 2,97% para 111,44 dólares, enquanto as negociações entre Washington e Teerã continuam estagnadas e o estreito de Ormuz bloqueado. Lusa | 12:42 – 28/04/2026 Produção de petróleo da Opep caiu 27,5% por causa da guerra A produção da Opep em março caiu quase 8 milhões de barris diários e 27,5% em relação à verificada em fevereiro devido à guerra no Irã e ao bloqueio do Estreito de Ormuz, anunciou a organização. A Opep precisou no relatório de março, primeiro mês em que se reflete o impacto da guerra, que os quase oito milhões de barris diários foram calculados por vários institutos independentes. Os países mais afetados pela Guerra no Irã, iniciada em 28 de fevereiro pelos EUA e por Israel, e pelo bloqueio do estreito de Ormuz foram o Iraque e os países do Golfo Pérsico. O relatório destaca que “os eventos a leste de Suez”, em alusão ao bloqueio de Ormuz e os ataques iranianos às instalações da indústria petrolífera de vários países da região, causaram quedas drásticas na produção da Arábia Saudita, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Iraque e, em menor grau, Irã, enquanto a Venezuela aumentou ligeiramente a produção. Segundo cálculos, o Iraque foi o mais afetado, com as extrações caindo para 1,62 milhão de barris diários, 2,5 milhões de barris diários a menos que em fevereiro, enquanto o Kuwait caiu para menos da metade, tendo passado de 2,58 milhões de barris diários para 1,21 milhão de barris diários. A Arábia Saudita deixou de fornecer 2,3 milhões de barris diários (10,1 milhões de barris diários em fevereiro e 7,8 milhões de barris diários em março) e os Emirados Árabes Unidos reduziram 1,5 milhão de barris diários (3,4 milhões de barris diários em março e 1,9 milhão de barris diários em fevereiro). (Notícia atualizada às 13h50) As principais bolsas europeias abriram hoje mistas, com cautela e atentas à alta do petróleo, diante da falta de negociações entre Teerã e Washington, e à política monetária dos bancos centrais. Lusa | 09:55 – 28/04/2026 Leia também: Brent supera US$ 111 com negociações estagnadas e Ormuz bloqueado



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