OCDE aconselha Japão a elevar IVA e reduzir dívida pública

“O Japão enfrenta importantes desafios de sustentabilidade orçamental a médio prazo”, alertou a organização no último relatório sobre a economia japonesa, publicado hoje.
A OCDE recorda que a dívida pública do arquipélago, que representava 206% do produto interno bruto (PIB) em 2024, é a mais elevada das economias do grupo.
A organização salienta também que, até 2060, se espera que o número de idosos represente 79% da população ativa do país.
“Para criar reservas orçamentais e preparar-se para as pressões das despesas a médio e longo prazo, é necessário abordar os custos relacionados com o envelhecimento da população, aumentar as receitas fiscais e limitar o recurso a orçamentos suplementares”, defendeu a organização.
A título de exemplo, o relatório propôs o aumento do imposto ao consumo (JCT, equivalente no Japão ao imposto sobre o valor acrescentado (IVA)), atualmente de 10%, um ponto percentual por ano até aos 18%, o que melhoraria em 3% o saldo orçamental japonês em percentagem do PIB.
“O aumento é possível sem aumentar a carga fiscal total”, afirmou hoje, numa conferência de imprensa, em Tóquio, o secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, em declarações recolhidas pelo meio especializado Nikkei.
Cormann reuniu-se na terça-feira com a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, numa reunião em que abordaram questões como a cooperação em matéria de segurança económica ou a inclusão dos países do Sudeste Asiático nas iniciativas do grupo, segundo um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros japonês.
A líder japonesa, defensora do aumento da despesa orçamental para estimular a economia estagnada do país, propôs a eliminação temporária do imposto sobre os alimentos como medida para atenuar os efeitos da inflação.
As propostas suscitaram preocupação entre os investidores, que reagiram vendendo ienes, contribuindo para a desvalorização da moeda, o que elevou o rendimento das obrigações de dívida japonesas para máximos de décadas.
No relatório, a OCDE salientou que a inflação está a caminho de convergir para a meta de 2% das autoridades, pelo que “deve ser dada prioridade à redução da dívida pública”.
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