Governo revê em baixa crescimento para 2% em 2026 (e prevê

No Relatório Anual de Progresso (RAP) de 2026, publicado pela Comissão Europeia em 30 de abril deste ano, o executivo traça o plano orçamentário do país no médio prazo e atualiza as projeções econômicas para este ano, contando que a economia cresça menos 0,3 ponto percentual do que previa em outubro de 2025 quando apresentou o Orçamento do Estado para 2026 (OE2026). A revisão para baixo é explicada “em grande medida” pelo “impacto da atualização das hipóteses externas, no contexto dos efeitos das atuais tensões no Oriente Médio”, justifica o governo no relatório publicado no site da Comissão Europeia. No documento, o governo prevê que o consumo privado cresça 1,9% neste ano, em vez dos 2,7% previstos no OE2026, o que significa um abrandamento mais acentuado em relação a 2025, ano em que se registrou uma alta de 3,5%. A equipe do ministro de Estado e Fazenda, Joaquim Miranda Sarmento, espera que o consumo público registre alta maior, de 1,6% em vez de 1,2%, igualando o registro de 2025 (1,6%). Na contramão, prevê que o investimento cresça menos, 4,8% em vez de 5,5%, o que, apesar da revisão para baixo, representa uma aceleração em relação a 2025, ano em que cresceu 3,6%. Quanto às exportações, prevê um crescimento de 1,5% em vez de 1,8%, uma aceleração ante a alta de 0,4% em 2025. Em relação às importações, aponta para uma desaceleração para 2,6%, em vez da projeção anterior de 3,6%, o que significa um ritmo de crescimento menor do que os 4,3% de 2025. O executivo antecipa que as consequências econômicas das tempestades de janeiro e fevereiro sejam compensadas parcialmente ao longo do ano, nos “demais meses, de modo que o impacto em termos anuais deve ser reduzido”. “O crescimento da atividade econômica em 2026 reflete, sobretudo, a aceleração” do investimento, “resultante da finalização dos projetos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e, em menor grau, um crescimento das exportações mais próximo ao da demanda externa direcionada à economia portuguesa, após a perda de participação de mercado observada em 2025”, enquadra o governo. O consumo privado “deve desacelerar, em um contexto de menor crescimento da renda disponível, aumento da inflação e manutenção de altos níveis de poupança”, acrescenta. Em relação às contas públicas, o Ministério da Fazenda conta que o “efeito positivo do resultado fiscal de 2025” — com superávit de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) — seja “anulado pelo impacto dos desdobramentos ocorridos no primeiro trimestre de 2026”. “Prevê-se um saldo orçamentário nulo, revendo para baixo 0,1 ponto percentual do PIB em relação ao superávit orçamentário de 0,1% apresentado” no relatório do OE2026, diz. A redução, diz ele, “reflete o efeito combinado do resultado fiscal de 2025 acima do esperado e impacto negativo dos mais recentes desenvolvimentos climáticos e geopolíticos que ocorreram no primeiro trimestre de 2026”. Por um lado, as tempestades “afetaram negativamente a receita tributária, especialmente a arrecadada nas áreas mais afetadas, e levaram a uma pressão adicional do lado da despesa pública”, diz o governo. Por outro, “a escalada do conflito no Oriente Médio originou igualmente a necessidade de serem adotadas medidas de apoio, por forma a mitigar o aumento do preço dos combustíveis, gás e eletricidade”, acrescenta. O executivo diz ainda que as perspectivas serão influenciadas por medidas como “o contínuo alívio da carga tributária”, a “dignificação do status e das carreiras dos trabalhadores da Administração Pública”, a “proteção das pessoas em situação de maior vulnerabilidade, como os idosos com baixos recursos” e a “aceleração da execução dos projetos no âmbito do PRR”. Substituto do Programa de Estabilidade e do Programa Nacional de Reformas, o documento reflete a execução do plano orçamentário-estrutural do país no médio prazo, notadamente quanto à trajetória dos gastos públicos. Leia Também: Banco do Brasil aumentou 269 trabalhadores nos últimos 12 meses



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