A narrativa do Governo, a da CGTP e os confrontos: O filme

A narrativa do Governo, a da CGTP e os confrontos: O filme

De um lado, o Governo dizia que “a esmagadora maioria dos trabalhadores portugueses” estava “trabalhando”. Do outro, a CGTP falava em “grande greve geral” em resposta a “um dos mais sérios ataques aos direitos dos trabalhadores” e apontava a “falta de humildade” do Executivo. Nas ruas, os trabalhadores se fizeram ouvir e no final da manifestação, na Assembleia da República, houve até confrontos que terminaram com pelo menos seis detidos. Afinal, quem disse o quê neste dia de paralisação? Ainda na terça-feira, o primeiro-ministro se mostrou convencido de que a “esmagadora maioria dos portugueses que trabalham” trabalharia no dia seguinte, dia da greve geral. Em resposta, o secretário-geral da CGTP acusou o Governo de “arrogância” e “prepotência na forma como tem lido o que é a luta dos trabalhadores”, e Luís Montenegro de demonstrar “falta de humildade”. “O Governo, ao longo destes 10 meses, tem demonstrado arrogância, prepotência na forma como foi conduzido este processo, na forma como tem lido aquilo que é a luta dos trabalhadores. Aliás, ainda ontem, as declarações do primeiro-ministro relativamente à greve geral demonstram uma total falta de humildade perante aquilo que está em causa. Falta de humildade na perceção daquilo que leva os trabalhadores a realizaram a segunda greve geral no seu mandato”, apontou. “A esmagadora maioria dos portugueses está trabalhando” Já durante a manhã de quarta-feira, a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social fazia um balanço provisório da adesão à greve geral, afirmando que o impacto era pequeno, principalmente no setor privado. “O país está trabalhando”, reiterou a governante, que admitiu que “qualquer greve geral é grave” pelo impacto que tem na vida das pessoas. “Dos dados que recolhemos e que nos foram transmitidos, por um lado, pelas confederações diversas dos vários setores da atividade privada e também pelas entidades públicas e por grandes empresas, conclui-se que a esmagadora maioria dos trabalhadores portugueses está a trabalhar nos seus locais de trabalho”, afirmou. A governante reconheceu que, no setor público, houve “maior adesão, como também já ocorreu na greve de dezembro”, mas disse que, “em todo caso”, “os serviços estão genericamente respondendo plenamente ou em alguns setores, com destaque para o transporte e a saúde, por meio dos serviços mínimos, que foram decretados e que estão, naturalmente, sendo cumpridos”. CGTP garante que a greve foi do tamanho da última (“senão maior”) Já durante a tarde, na manifestação da greve geral que percorreu as ruas de Lisboa do Rossio a São Bento, Tiago Oliveira insistiu na “derrota do pacote laboral” antes mesmo de qualquer discussão na Assembleia da República e diz que o Governo “tem de ser mais humilde”. “Os dados são concretos: estamos diante de uma grande greve geral, do tamanho – senão maior – do que da última greve. E isso tem o impacto e a leitura que tem porque, de fato, os trabalhadores veem, no que foi o apelo da CGTP e no que são os objetivos que trazem os trabalhadores para essa greve, que é a derrota do pacote trabalhista, legitimidade e interesse em participar. Os trabalhadores deram a verdadeira resposta na construção dessa greve geral”, declarou. Sobre as declarações da ministra do Trabalho, Tiago Oliveira disse que a governante “não deve ter se esforçado muito em redigir o documento que leu hoje porque o primeiro-ministro, ainda ontem, estava preparando a mesma retórica”. “O Governo tem que deixar essa linha de arrogância, tem que ser mais humilde, e tem que olhar para o que são os problemas concretos da vida dos trabalhadores”, reforçou. Parlamento pauta discussão sobre pacote trabalhista para 18 de junho Em dia de greve geral, o Parlamento marcou para dentro de duas semanas, em 18 de junho, a discussão da contestada proposta do governo para a revisão do Código do Trabalho. A decisão foi tomada na quarta-feira, em conferência de líderes, um mês após a entrada da proposta do governo na Assembleia Legislativa. Com a oposição dos sindicatos e o voto contrário já anunciado do PS, a aprovação da proposta de reforma trabalhista parece dependente do Chega, que também tem contestado o pacote trabalhista como está. O primeiro-ministro, ao final da reunião do Conselho de Ministros, disse que “o Governo cumprirá sua missão que é apresentar em geral a proposta de lei e, naturalmente, mostrar-se inteiramente disponível para, no processo legislativo, poder esclarecer, interagir, aproximar posições com os grupos parlamentares”. “Nós não excluímos ninguém, mas sabemos que há várias forças no Parlamento que se autoexcluíram e que estão indisponíveis para percorrer este caminho”, referiu. Luís Montenegro assegurou ainda “disponibilidade total” para “eventualmente, modificar um ou outro ponto da proposta que seja suscetível de uma aproximação com as posições dos partidos na Assembleia da República”. Manifestação termina em confrontos (e seis detidos) No final da manifestação da CGTP, alguns manifestantes se envolveram em confrontos com a PSP e acabaram detidos por desobediência e resistência e coação sobre funcionário. Fonte policial disse à Lusa que, dos seis detidos, cinco já estão indiciados por crimes de resistência e coação sobre funcionário e um outro por incendiar caixotes do lixo (crime de dano). O responsável do Cometlis disse aos jornalistas que os confrontos com grupos, na maioria jovens, junto à Assembleia da República (AR) não terão relação com a manifestação que culminou o dia de greve decretado pela central sindical CGTP-In, que decorreu com normalidade. “Comportamentos inaceitáveis”, mas foi “dia de trabalho” O ministro da Presidência reiterou, no fim do dia, que o dia de greve geral foi de “trabalho para a esmagadora maioria de portugueses” e condenou “comportamentos inaceitáveis ​​de alguns” na manifestação junto ao Parlamento, distinguindo-os da organização. “Foi um dia de trabalho para a esmagadora maioria dos portugueses, embora também tenha sido um dia de greve para alguns, vários portugueses”, disse, deixando os detalhes de dados sobre o impacto para a ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, que também participou da coletiva de imprensa do final da reunião semanal do Conselho de Ministros. Leitão Amaro ressaltou ainda que “o Governo respeita integralmente o direito de greve e também o direito de trabalhar de todos aqueles que trabalharam”, lamentando os incidentes. “Alguns ultrapassaram os limites mais do que aceitáveis ​​do direito de greve, que causaram desacatos, que ofenderam a ordem pública e que confrontaram a autoridade das forças de segurança portuguesas”, disse. O ministro da Presidência ressaltou que esse “foi um comportamento de alguns, não o comportamento da maioria dos manifestantes”, que o fez de forma pacífica. Você pode relembrar o acompanhamento do dia da greve geral abaixo: Acompanhe aqui, minuto a minuto, todos os desdobramentos em torno da greve geral desta quarta-feira, 3 de junho, convocada pela CGTP-IN. Notícias ao Minuto | 06:22 – 03/06/2026

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