Crise do aço agravada pela capacidade da China e guerra no

Crise do aço agravada pela capacidade da China e guerra no

“A capacidade mundial de produção não parou de crescer enquanto a demanda se contraiu, fazendo a taxa de utilização das capacidades cair muito abaixo dos níveis viáveis”, disse a OCDE no relatório anual sobre o mercado de aço. A Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) antecipou uma demanda mundial com um crescimento fraco de 0,9% ao ano até 2030, segundo o relatório citado pela agência de notícias France-Presse (AFP). “O conflito no Oriente Médio, a alta dos preços da energia e as disrupções nas cadeias de suprimentos” acrescentam pressões adicionais sobre a demanda, disse. A OCDE lembrou que o aço é “indispensável para a quase totalidade das atividades industriais”, para a construção ou para a produção de energia. As capacidades de produção continuam a crescer, disse a OCDE, que destacou a China, responsável por cerca de 52% do aço mundial e que inunda os mercados com preços frequentemente baixos. “Os excedentes de capacidade, estimados em 640 milhões de toneladas (Mt) em 2025, devem chegar a 745 Mt até 2028”, antecipou a OCDE. A organização havia mencionado em um relatório na segunda-feira que os industriais chineses em 15 setores industriais-chave se beneficiaram de três a oito vezes mais apoio público do que os concorrentes internacionais. Evocou até “distorções de concorrência” que poderiam se assemelhar ao “‘doping’ no esporte”. Na siderúrgica, “o produtor de aço chinês mediano recebia, em proporção ao tamanho dos ativos, 15 vezes mais subsídios do que o produtor mediano de outras partes” em 2024, disse hoje a OCDE. Apoios públicos na China, diretos, desonerações fiscais ou empréstimos com taxas muito vantajosas concedidos por instituições financeiras públicas, desestabilizam os mercados mundiais, segundo a OCDE. Os produtores assim subsidiados podem esmagar os preços internacionalmente, comprometendo “a viabilidade das indústrias siderúrgicas sujeitas aos mecanismos de mercado em todo o mundo”, explicou a organização. Os produtores de aço chineses exportaram um volume recorde de 131 Mt de aço em 2025. Para tentar lutar contra os efeitos nocivos dessas exportações a baixo custo, as medidas comerciais se multiplicaram em 2025, observou a OCDE, citando especificamente medidas contra a concorrência desleal ou mecanismos de compensação. Leia Também: OCDE revê para baixo crescimento da economia portuguesa para 1,8% em 2026

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