Empresas portuguesas afetadas pelas manifestações em

Empresas portuguesas afetadas pelas manifestações em

“Temos relatos de empresas que foram vandalizadas, mas creio que na sua grande generalidade já se virou a página neste momento. As empresas conseguiram reerguer-se, recuperar as suas atividades e estão neste momento a olhar para o futuro. Nós olhamos para o futuro com muita expectativa e com muita esperança, porque acreditamos em Moçambique”, disse o embaixador português em Moçambique, Jorge Monteiro, em declarações à Lusa, em Maputo. Em março, o Governo português tinha avançado estar a estudar mecanismos para apoiar empresas de capitais portuguesas vandalizadas nas manifestações pós-eleitorais em Moçambique, após o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, reunir, em Maputo, com pelo menos cinco empresários que viram as suas propriedades vandalizadas. Hoje, o embaixador português, que assumiu oficialmente funções em setembro, disse que Moçambique viveu um “período muito difícil” após as eleições de outubro de 2024, que afetou igualmente a comunidade internacional residente no país, incluindo portugueses, indicando que se acompanha um “novo ciclo político” do país com esperança. “Saudamos muito e estamos muito atentos ao espírito reformista que este Governo tem vindo a dar mostras de querer empreender, acreditamos que essas reformas são necessárias e essas reformas poderão contribuir para o novo dinamismo económico, na criação de emprego, de oportunidades para os mais jovens”, disse Jorge Monteiro. O diplomata prometeu apoio contínuo de Portugal no âmbito do diálogo político em curso em Moçambique que visa reformas, com a auscultação nacional em curso, referindo que este é o caminho para “evitar situações como aquelas que se viveram no seguimento às eleições se voltem a verificar”. “Neste momento o processo está a decorrer e nós estamos a acompanhar. Portugal, a União Europeia e a comunidade internacional em geral acompanha atentamente a evolução deste processo e estamos ainda na fase de diálogo, da auscultação”, disse Jorge Monteiro. “Acredito que haverá um momento em que serão apresentadas as conclusões e creio que os moçambicanos em primeiro lugar esperam ambição deste processo, que saiam daqui propostas concretas que permitam introduzir reformas de que o país precisa para enfrentar os desafios do futuro com outra força, capacidade de inclusão de todas as tendências e setores da sociedade e que, no fundo, inspire confiança aos cidadãos moçambicanos”, concluiu o diplomata. A violência em Moçambique eclodiu a partir de Maputo, em 21 de outubro de 2024, dois dias após o duplo homicídio do advogado Elvino Dias e de Paulo Guambe, apoiantes do candidato presidencial Venâncio Mondlane. O Conselho Constitucional proclamou, em 23 de dezembro, dois meses e meio após a votação, Daniel Chapo como vencedor da eleição presidencial, com 65,17% dos votos nas eleições gerais de 09 de outubro, seguindo-se Venâncio Mondlane, com 24%, mas que nunca reconheceu os resultados. A plataforma eleitoral Decide, organização da sociedade civil que monitoriza os processos eleitorais avançou este mês, num balanço final, que a agitação social terá provocado 411 mortos e mais de 7.200 detidos. Daniel Chapo e Venâncio Mondlane reuniram-se em Maputo, pela primeira vez desde as eleições, em 23 de março, e no dia seguinte o ex-candidato presidencial apelou ao cessar da violência, não se tendo registado casos de agitação social associados à contestação eleitoral desde então. Leia Também: Moçambique prepara relatório sobre direitos humanos a apresentar na ONU

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