ONU Revela Que 128 Mil Pessoas Abandonaram Povoações Devido

ONU Revela Que 128 Mil Pessoas Abandonaram Povoações Devido

O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) estima que cerca de 128 mil pessoas tenham fugido, numa semana, das povoações de Lúrio e Mazula, no distrito de Memba, na província de Nampula, norte de Moçambique, após novos ataques de grupos extremistas.

Segundo um relatório actualizado, divulgado pela Lusa, os ataques coordenados de grupos armados intensificaram-se nos distritos de Memba e Eráti, desde o dia 10 de Novembro, acrescentando que os primeiros relatos indicam que algumas casas e uma escola foram incendiadas, propriedades foram saqueadas e civis mortos, feridos ou sequestrados.

“Estão em curso deslocamentos populacionais. Estima-se que 80% da população de Lúrio e Mazula tenha fugido para áreas de mata próximas ou para outros distritos. O medo de novos ataques e a persistente insegurança continuam a desencadear novos movimentos, à medida que se espalham rumores da presença de grupos armados não estatais pelas áreas afectadas”, avança o documento.

A agencia das Nações Unidas descreve ainda que informações dão conta de movimentos populacionais significativos em todo o distrito de Memba, com moradores de bairros vizinhos a concentrarem-se em Lúrio sede, enquanto algumas famílias atravessam o rio Lúrio em direcção ao distrito de Mecúfi, na província de Cabo Delgado.

“O povoado de Mazula está praticamente deserto devido aos ataques contínuos, embora nenhuma concentração significativa se tenha formado em Memba. Na sede, observam-se partidas graduais, com civis a abandonar a região por receio de potencial violência”, explica-se.

A entidade assinala também que há um pequeno número de deslocados internos a chegar ao distrito de Nacala Porto e um aumento do tráfego de veículos em direcção à cidade de Nampula, enquanto no posto administrativo de Namialo ocorre um padrão semelhante, com veículos a transportar famílias provenientes de Eráti e Nacala Porto.

“As condições humanitárias da população afectada — incluindo os deslocados em Outubro e aqueles que ainda não receberam assistência — continuam a deteriorar-se, enquanto os parceiros humanitários permanecem sobrecarregados e com recursos insuficientes”, alertou o OCHA, reiterando que os choques “múltiplos e sobrepostos” exercem uma enorme pressão sobre a capacidade de resposta das comunidades locais, aumentando os níveis de sofrimento mental.

As autoridades de educação informaram que as aulas foram suspensas em 33 escolas em Chipene e Lúrio, afectando mais de 18 700 alunos e 160 professores desde o início dos ataques extremistas no final de Setembro.

Desde Outubro de 2017, Cabo Delgado – província rica em recursos naturais, nomeadamente gás – tem sido palco de uma insurgência armada que já provocou milhares de mortos e originou uma crise humanitária com mais de um milhão de deslocados internos.

Em Abril, os ataques alastraram também à vizinha província do Niassa. Um dos episódios mais graves ocorreu na Reserva do Niassa e no Centro Ambiental de Mariri, no distrito de Mecula, onde grupos armados não estatais atacaram instalações, roubaram bens, destruíram acampamentos e uma aeronave do parque. Estes actos resultaram na morte de, pelo menos, duas pessoas e levaram à deslocação de mais de dois mil indivíduos, dos quais 55% são crianças.a d v e r t i s e m e n t

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