BdM Corta Juros Pela 12.ª Vez, Banco Mundial Mobiliza 2,5

BdM Corta Juros Pela 12.ª Vez, Banco Mundial Mobiliza 2,5

advertisemen tA semana económica em Moçambique foi marcada por sinais simultâneos de estímulo monetário, reforço do financiamento externo, retoma de grandes investimentos energéticos e esforços de reposição de infra-estruturas críticas afectadas por eventos climáticos. O período revelou uma combinação de políticas de flexibilização financeira, perspectivas de entrada de capitais multilaterais e avanços estruturais em sectores estratégicos, ao mesmo tempo que persistem desafios ligados à dívida interna e à vulnerabilidade climática. No plano monetário, o Banco de Moçambique voltou a reduzir a taxa de juro directora, fixando a taxa MIMO em 9,25%, o que representa o 12.º corte consecutivo desde o início do ciclo de flexibilização em Janeiro de 2024. A decisão, tomada pelo Comité de Política Monetária reunido em Maputo, baseia-se na manutenção da inflação em níveis moderados e na desaceleração da inflação subjacente, sustentada pela estabilidade cambial e pela moderação dos preços internacionais. Ainda assim, a autoridade monetária alerta para riscos associados a inundações, tensões geopolíticas e atrasos no pagamento da dívida pública interna, factores que continuam a pressionar a liquidez do sistema financeiro. O stock da dívida interna ultrapassa actualmente 7,6 mil milhões de dólares, agravando o custo do financiamento interbancário e condicionando o ritmo de descidas futuras das taxas de referência. Em paralelo, o Banco Mundial anunciou a intenção de mobilizar cerca de 2,5 mil milhões de dólares para Moçambique ao longo dos próximos cinco anos, no âmbito do novo Quadro de Parceria com o País. O financiamento deverá concentrar-se em corredores económicos e sectores com elevado potencial de criação de emprego, como energia, agro-negócio e turismo, com foco particular na juventude e nas mulheres. O programa inclui instrumentos de garantias, financiamento misto e apoio técnico para atrair investimento privado. Associado a este pacote, foi igualmente aprovado um fundo adicional de 450 milhões de dólares destinado a reforçar a resiliência económica e a resposta a choques climáticos e sociais, numa estratégia orientada para crescimento inclusivo e fortalecimento institucional. No sector energético, a TotalEnergies oficializou a retoma do projecto Mozambique LNG, na península de Afungi, província de Cabo Delgado, após mais de quatro anos de paralisação devido à insegurança armada. Avaliado em cerca de 20 mil milhões de dólares, o empreendimento é considerado o maior investimento privado actualmente em curso em África e deverá gerar receitas estimadas em 35 mil milhões de dólares para o Estado ao longo de 25 anos. PR assegurou que a N1, interrompida entre Incoluane e 3 de Fevereiro na província de Gaza devido às cheias, deverá ser reaberta no prazo máximo de duas semanas A fase de construção prevê a criação de aproximadamente 17 mil empregos, com predominância de mão-de-obra nacional. As primeiras exportações de gás natural liquefeito estão agora projectadas para 2029. O Governo determinou ainda a realização de uma auditoria independente aos custos acumulados durante o período de suspensão, enquanto a empresa reforçou as medidas de segurança e o controlo logístico na área industrial. No domínio das infra-estruturas, o Presidente da República assegurou que a Estrada Nacional Número 1 (N1), interrompida entre Incoluane e 3 de Fevereiro na província de Gaza devido às cheias, deverá ser reaberta no prazo máximo de duas semanas. A N1 é considerada a principal artéria rodoviária do País para a circulação de pessoas e mercadorias entre o sul e o centro, e a sua reposição é vista como fundamental para a normalização das cadeias logísticas e comerciais. Paralelamente, parceiros internacionais continuam a enviar ajuda humanitária às zonas afectadas, enquanto o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres reporta dezenas de vítimas mortais e mais de cem mil pessoas afectadas pela época chuvosa em curso. O Executivo admite limitações orçamentais para o plano de contingência, o que reforça a dependência de apoio externo e sublinha a pressão fiscal associada aos eventos climáticos extremos. Texto: Felisberto Rucoa dvertisement

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