Rácios de Solvência de Alguns Bancos Ultrapassaram os 700%
O sector bancário moçambicano registou, no 4.º trimestre de 2025, rácios de solvabilidade significativamente elevados em algumas instituições, com destaque para o Banco de Investimento Global (BIG), que apresentou um valor de 778,9%, e para o Dumba Microbanco, com 82,5%. Os dados constam do relatório dos Indicadores Prudenciais e Económico-Financeiros publicado pelo Banco de Moçambique, referente ao período entre Outubro e Dezembro de 2025. O rácio de solvabilidade, que mede a capacidade de absorção de perdas por parte das instituições de crédito, é uma referência central para a solidez do sistema financeiro. Embora o mínimo regulamentar se situe em 12%, vários operadores ultrapassaram largamente este patamar. Além do BIG e do Dumba, o Futuro Microbanco e o Microbanco Metropolitano registaram rácios de 83,3% e 74,4%, respectivamente. Apesar do desempenho robusto de algumas instituições, o relatório também evidencia situações preocupantes. O Microbanco Confiança apresentou um rácio negativo de -281,6%, enquanto a Caixa Mulher Microbanco (CMMcb) e o Servcred encerraram o período com -5,5% e -10,2%, respectivamente. Estes valores negativos indicam uma possível erosão de capital próprio, colocando em causa a capacidade de cumprimento dos requisitos prudenciais exigidos. O Banco de Moçambique sublinha, na nota metodológica, que a responsabilidade pela informação constante no mapa é inteiramente das administrações das instituições de crédito, não sendo atribuída validação directa por parte do regulador. Os dados do último trimestre do ano permitem aferir a resiliência do sector bancário nacional, mas também evidenciam disparidades acentuadas na estrutura de capital entre operadores de diferentes dimensões e perfis de risco. Nos últimos anos, o sector bancário moçambicano tem mostrado sinais consistentes de resiliência e capitalização, segundo dados divulgados periodicamente pelo Banco de Moçambique. No 1.º trimestre de 2025, a maioria das instituições apresentou indicadores prudenciais sólidos, com rácios de solvabilidade confortavelmente acima dos mínimos regulamentares exigidos. Também em Março de 2025, o sector operava com um rácio médio de solvabilidade de 26,5 %, mais do dobro do limite de 12 % estabelecido para a adequação de capital, acompanhado de níveis de liquidez igualmente robustos.



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