Reservas Externas de Moçambique Ganham Fôlego e Ultrapassam

Reservas Externas de Moçambique Ganham Fôlego e Ultrapassam

As reservas internacionais líquidas no País aumentaram em Novembro de 2025, fixando-se em 4,053 mil milhões de dólares, segundo dados divulgados pelo Banco de Moçambique. De acordo com a Lusa, o reforço das reservas representa uma recuperação face aos meses anteriores, depois de em Setembro e Outubro os níveis se terem mantido em torno de 3,9 mil milhões de dólares. Com este desempenho, as reservas atingiram um novo máximo recente, passando a cobrir mais de três meses das necessidades de importações, de acordo com o histórico estatístico do banco central. A evolução positiva das reservas ocorre após um período marcado por alguma pressão sobre a posição externa do País, associada ao peso da factura de importações e aos compromissos com o serviço da dívida externa. Ainda assim, o banco central tem vindo a assegurar níveis considerados adequados de reservas, com vista a garantir o financiamento das importações essenciais e a estabilidade do mercado cambial. Apesar do aumento das reservas, o sector privado continua a manifestar preocupações quanto ao acesso efectivo a divisas no sistema bancário. Em Novembro, o presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique, Álvaro Massingue, alertou para as dificuldades enfrentadas pelas empresas na obtenção de moeda externa para a importação de matérias-primas e outros insumos essenciais. “Há necessidade de ajustar certos segmentos de liquidez”Rogério Zandamela – governador de Banco de Moçambique, “A escassez de divisas é hoje uma emergência económica. Sem moeda externa, as empresas não importam matérias-primas, não cumprem contratos e não crescem. O Estado deve garantir prioridade no acesso a divisas para empresas produtoras e exportadoras e criar incentivos para quem exporta e substitui importações”, afirmou Massingue, na abertura da 20.ª Conferência Anual do Sector Privado (CASP), o maior fórum de diálogo público-privado e de negócios do País. Perante estas preocupações, o governador do banco central, Rogério Zandamela, reiterou que a instituição tem vindo a adoptar medidas com vista a melhorar a fluidez no mercado cambial, procurando uma redistribuição mais eficiente das divisas disponíveis para assegurar as importações. “Essas medidas não são mais nada do que ajustar daqui, tirar dali certos recursos, colocá-los noutros segmentos e acompanhar melhor”, explicou o governador, em conferência de imprensa realizada em Maputo, no final de uma reunião do Comité de Política Monetária (CPMO). Entre as medidas anunciadas, o Banco de Moçambique reduziu os limites de retenção diária de divisas adquiridas pelos bancos comerciais e reforçou a taxa mínima de conversão das receitas de exportação, que passou de 30% para 50%. Segundo a instituição, estas decisões visam aumentar a disponibilidade de moeda externa no mercado e facilitar o acesso às divisas por parte dos agentes económicos. Respondendo aos jornalistas, e tendo em conta as preocupações expressas pelos empresários, Zandamela sublinhou ainda que “há necessidade de ajustar certos segmentos de liquidez”, de forma a conciliar a gestão prudente das reservas com as necessidades do tecido produtivo.

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