SGM Lança Mecanismo Para Mitigar Risco e Ampliar Acesso ao
advertisemen tA Sociedade de Garantia de Moçambique (SGM) apresentou esta quinta-feira (13), durante a 20.ª Conferência Anual do Sector Privado (CASP 2025), um novo mecanismo destinado a transformar o panorama do financiamento às micro, pequenas e médias empresas (PME) moçambicanas, apostando na mitigação do risco e na melhoria das condições de acesso ao crédito bancário. De acordo com o portal Further Africa, na sua intervenção, a presidente executiva da SGM, Beatriz Freitas, destacou que a iniciativa representa uma mudança estrutural na forma como o sistema financeiro nacional gere o risco associado ao segmento das PME. O modelo institucional proposto segue boas práticas internacionais e visa colmatar falhas históricas de mercado que, até ao momento, têm limitado severamente o financiamento a este sector. A economia moçambicana é largamente composta por pequenas unidades empresariais, mas o acesso ao crédito continua a ser travado por exigências colaterais rígidas e uma percepção de risco ainda elevada por parte das instituições bancárias. Para contrariar este cenário, o novo mecanismo de garantia de crédito actuará por via de garantias parciais sobre os empréstimos, partilhando o risco entre os bancos e o fundo de garantia. “O mercado mantém-se cauteloso, mas ao reduzir a exposição directa das instituições financeiras, criamos um ambiente propício para que estas concedam crédito a empresas viáveis que, de outro modo, permaneceriam excluídas”, afirmou Beatriz Freitas. A SGM foi desenhada com uma estrutura de governação robusta, integrando mecanismos de controlo independente, critérios de elegibilidade transparentes e sistemas de gestão de risco alinhados com normas internacionais. Estes elementos procuram garantir a confiança dos bancos e assegurar uma operação credível e sustentável no médio e longo prazo. Além de aliviar os constrangimentos impostos pela escassez de garantias, maturidades reduzidas e custos elevados de financiamento, o novo esquema pretende fomentar a concorrência no sector bancário, alargando o acesso ao crédito a sectores estratégicos como agricultura, agro-indústria, energias renováveis, transporte, construção e turismo. O impacto esperado vai além da mera facilitação do crédito. Com maior segurança para os credores, abre-se espaço para financiamentos de prazo mais alargado e soluções adaptadas ao investimento empresarial, o que poderá permitir às empresas nacionais escalar operações, criar empregos e consolidar cadeias de valor industriais actualmente fragmentadas. A par do seu objectivo económico, a SGM alinha-se igualmente com a estratégia governamental de inclusão financeira e modernização do sector. O fundo apoiará a expansão de ferramentas digitais de avaliação de risco, promovendo uma distribuição mais equitativa do crédito, incluindo zonas rurais, mulheres empreendedoras e jovens empresários. A responsável sublinhou ainda que o compromisso com a transparência será uma das marcas da instituição. A SGM reportará de forma regular indicadores de desempenho, composição da carteira e gestão de reclamações, reforçando a confiança dos investidores e a eficácia da utilização dos recursos públicos e privados. Para alcançar escala e impacto duradouro, será indispensável uma coordenação estreita entre bancos, empresas e o fundo de garantia. Apesar dos riscos associados a este tipo de instrumentos, a SGM garante um sistema de monitorização permanente, assegurando correcções atempadas e promovendo um crescimento prudente. “A experiência internacional demonstra que esquemas bem regulados conseguem multiplicar o seu capital em novas operações de crédito. O nosso objectivo é criar uma fundação sólida que apoie de forma responsável a expansão do sector privado moçambicano”, concluiu Beatriz Freitas.



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