PR Pede “Menos Burocracia” Para Facilitar Acesso a Fundos
O Presidente da República, Daniel Chapo, pediu “menos burocracia” na disponibilização de recursos destinados a fundos climáticos para países que sofrem com os efeitos das mudanças climáticas.
A informação foi prestada no fim da visita de trabalho efectuada à cidade de Belém, no Brasil. Naquele local, o chefe do Estado participou da cúpula de líderes, um evento que antecede a 30.ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP30), que também vai acontecer na mesma região, de 10 a 21 de Novembro.
“Apelámos durante o nosso discurso à flexibilização dos mecanismos de acesso. Que haja menos burocracia para a disponibilização dos recursos, principalmente para os países em vias de desenvolvimento como é o caso de Moçambique”, disse.
O governante recordou que o Presidente brasileiro, Lula da Silva, mobilizou, durante o encontro, cerca de 5,5 mil milhões de dólares em financiamento climático para países vulneráveis e menos poluentes. “O financiamento climático está ligado à justiça climática, que achamos que é extremamente importante.”
Chapo ressalvou que Moçambique é um dos dez países mais vulneráveis às mudanças climáticas ao nível do mundo, caracterizado ciclicamente por cheias, inundações, secas e ciclones.
Moçambique é considerado um dos países mais severamente afectados pelas alterações climáticas, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, que decorre anualmente entre Outubro e Abril. Só entre Dezembro e Março últimos, na última época ciclónica, Moçambique foi atingido por três ciclones, incluindo o Chido, o primeiro e mais grave, no final de 2024.
O número de ciclones que atingem o País “tem vindo a aumentar na última década”, bem como a intensidade dos ventos, alerta-se no relatório do Estado do Clima em Moçambique 2024, do Instituto de Meteorologia de Moçambique, divulgado em Março.
Os eventos extremos provocaram pelo menos 1016 mortos em Moçambique entre 2019 e 2023, afectando cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.
Recentemente, o Executivo aprovou o plano de contingência nacional para a época chuvosa 2025-26 avaliado em 14 mil milhões de meticais (217,1 milhões de dólares). No entanto, admitiu dispor apenas de 6 mil milhões de meticais (93 milhões de dólares) da verba necessária.
Em Setembro, as autoridades alertaram para cheias de “grande magnitude” no País e inundações em, pelo menos, quatro milhões de hectares agrícolas durante a época chuvosa 2025-26. “Entre Janeiro, Fevereiro e Março, achamos que vamos ter chuvas e cheias de grande magnitude, aquilo que classificamos como um regime alto, sobretudo nas bacias de Incomáti, Maputo e Limpopo”, afirmou Agostinho Vilanculos, director nacional de Gestão de Recursos Hídricos.a d v e r t i s e m e n t



Publicar comentário