Efacec: Estado recebeu cerca de “100 milhões em impostos e

Efacec: Estado recebeu cerca de "100 milhões em impostos e

“Dos 200 milhões de euros que o Estado colocou (na empresa), recebeu de volta, sensivelmente, 100 milhões de euros em impostos e contribuições para a Segurança Social”, anunciou João Nuno Mendes, em resposta aos deputados, numa audição parlamentar na Comissão de Economia e Coesão Territorial. Em novembro de 2023, o Estado finalizou a venda ao fundo de investimento alemão Mutares da totalidade do capital da Efacec, que tinha sido nacionalizada em 2020 aquando do escândalo ‘Luanda Leaks’. A empresa era controlada indiretamente por Isabel dos Santos. No âmbito da venda, o Estado acordou injetar 160 milhões de euros na empresa e o Banco de Fomento financiou em mais 35 milhões de euros, através da compra de obrigações (convertíveis em capital). Estes valores somam-se aos 200 milhões de euros que o Estado já tinha injetado na empresa em 20 meses (para pagar custos fixos, desde logo salários). Na mesma sessão, o antigo governante já tinha indicado que a empresa espera vendas de 350 milhões de euros este ano e um EBITDA (resultado antes de impostos, juros, depreciações e amortizações) de 42 milhões de euros. Em 2020, no ano em que chegou à esfera do Estado, a Efacec apresentava um EBITDA negativo em 50 milhões de euros e um prejuízo de 73 milhões, segundo os dados avançados pelo ex-secretário de Estado. A dívida líquida da empresa estava nos 180 milhões de euros. “O prazo que o atual investidor tem para gerar (resultados) é de cinco ou seis anos. Os números que referi são encorajadores relativamente ao futuro da empresa”, insistiu. João Nuno Mendes – que foi secretário das Finanças entre junho de 2020 a março de 2022 e depois do Tesouro até dezembro de 2022 – assegurou não fugir às suas responsabilidades e sublinhou que houve sempre uma “cultura de trabalho” entre os ministérios da Finanças e da Economia. “Houve um governo em funções que resolveu, entregou e reduziu em quase 40 pontos percentuais a dívida pública. A solução encontrada respeita o operador numa economia de mercado”, referiu. No final da primeira ronda de intervenções, João Nuno Mendes precisou ainda que o Estado “não salvou os acionistas privados”, tendo em conta que não pagou indemnizações e que os cerca de 309 milhões de euros de capital social foram anulados. Já relativamente à escolha do fundo Mutares, o antigo secretário de Estado disse que sempre existiu no Governo a leitura de que a empresa “poderia ter uma melhor solução” se tivesse um acionista industrial que a pudesse conduzir numa fase difícil. Leia Também: Registo simplificado de terrenos mantém-se “para já” gratuito

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