Alemanha Envia Avião Humanitário e Aumenta Ajuda Para Mais

Alemanha Envia Avião Humanitário e Aumenta Ajuda Para Mais

advertisemen tA Embaixada da Alemanha comunicou que na noite de quinta-feira, 5 de Fevereiro, uma aeronave pousou em Maputo, trazendo suprimentos essenciais de ajuda humanitária, incluindo filtros de água, utensílios de cozinha e barracas familiares, num valor total de 375 mil euros, para apoiar os esforços de recuperação das inundações em Moçambique, particularmente nas províncias de Maputo, Gaza e Sofala. Numa nota consultada pelo Diário Económico, esclarece-se que a entrega foi coordenada pelo Mecanismo de Protecção Civil da União Europeia para garantir que os bens humanitários sejam fornecidos de forma oportuna e coordenada, de acordo com as necessidades no terreno. “Com este carregamento, a assistência humanitária da Alemanha a Moçambique em 2026 já ultrapassa os 3 milhões de euros. Isto inclui uma recente doação de 2 milhões de euros ao Programa Alimentar Mundial (PAM) e 600 mil euros direccecionados a Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR)”, avança o documento. Segundo a entidade, “estes fundos flexíveis podem ser utilizados para apoiar necessidades essenciais, como alimentação, água, saneamento e medidas de higiene e abrigo temporário”, acrescentando que iniciativas de menor escala também estão a ser apoiadas com verba alemã, como uma contribuição de 180 mil euros para um projecto de ajuda de emergência da Cruz Vermelha Alemã, que fornecerá suprimentos básicos de apoio e abrigo de emergência para até 15 mil pessoas. Além do apoio bilateral, o comunicado avança que a Alemanha também participa em esforços multilaterais. “O país é, por exemplo, um dos principais doadores do Fundo Central de Resposta a Emergências das Nações Unidas (CERF), que recentemente destinou 5 milhões para o auxílio às vítimas das enchentes em Moçambique.” “Estamos firmemente ao lado de Moçambique e utilizando diversas ferramentas humanitárias para apoiar o País na recuperação dos impactos desta catástrofe das cheias. A longo prazo, a nossa cooperação bilateral para o desenvolvimento continua também a desempenhar um papel significativo, visando reforçar, de forma sustentável, a resiliência de Moçambique aos efeitos das alterações climáticas”, conclui. Segundo as informações avançadas, a Cooperação Alemã em Moçambique possui actualmente um portefólio de 178 milhões de euros na área de resiliência climática (incluindo cofinanciamento de outros parceiros). Nesse contexto, diversas iniciativas estão focadas no desenvolvimento urbano sustentável e na protecção costeira, todas com o objectivo de aumentar significativamente a resiliência das comunidades locais a eventos como inundações. Dados actualizados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) indicam que, desde o início da época chuvosa, em Outubro, foram afectadas 844 mil pessoas em todo o País, com registo de 153 mortos e 254 feridos. Face à gravidade da situação, o Governo declarou o alerta vermelho nacional no dia 16 de Janeiro, sendo que actualmente, estão activos 77 centros de acomodação, acolhendo 76 251 pessoas deslocadas. Desde 7 de Janeiro, foram ainda danificadas 229 unidades sanitárias, 316 escolas e cinco pontes. No sector agrícola, as cheias afectaram 440 842 hectares de cultivo, dos quais 275 405 foram dados como perdidos, atingindo 314 780 agricultores. Estima-se também a morte de 408 115 cabeças de gado, entre bovinos, caprinos e aves. A União Europeia, os Estados Unidos, Portugal, Angola, Espanha, Timor-Leste, Suíça, Noruega, Japão e China, além de países vizinhos, já anunciaram e enviaram ajuda humanitária de emergência. Recentemente, o Governo previu a necessidade de, pelo menos, 644 milhões de dólares para reparar os danos provocados pelas chuvas intensas registadas nos últimos 20 dias, que resultaram em cheias e inundações em várias regiões do País, com maior incidência nas zonas Centro e Sul. As cheias excederam as disponibilidades, e necessita-se de 187 milhões de dólares para assistência urgente Entre os principais prejuízos, destacam-se os danos em cerca de três quilómetros da Estrada Nacional Número 1 (N1), a principal via rodoviária que liga Moçambique de norte a sul, situação que agravou as dificuldades de circulação de pessoas e de escoamento de bens essenciais. No total, estima-se que cerca de 1200 quilómetros de linhas de média tensão tenham sido afectados ou submersos, bem como cerca de 900 quilómetros de linhas de baixa tensão, além de 94 postos de transformação. Apesar da dimensão dos danos, os prejuízos mantêm-se estimados em cerca de 4,9 milhões de dólares. No final do ano passado, o Executivo aprovou o plano de contingência nacional para a época chuvosa 2025-26 avaliado em 14 mil milhões de meticais. No entanto, admitiu dispor apenas de 6 mil milhões de meticais da verba necessária. Moçambique está em plena época chuvosa, um período que tem sido marcado por alertas de chuvas e ventos fortes, principalmente nas zonas Centro e Sul do País, com as autoridades a activarem acções de antecipação às cheias e inundações naquelas regiões. O País é considerado um dos mais severamente atingidos pelas alterações climáticas, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais. Nas últimas chuvas, entre 2024-25, Moçambique foi atingido pelos ciclones Chido, Dikeledi e Jude que causaram a morte de pelo menos 313 pessoas, feriram 1255 e afectaram mais de 1,8 milhão. Os eventos extremos provocaram pelo menos 1016 mortos em Moçambique entre 2019 e 2023, afectando cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.advertisement

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