UNICEF Reforça “Protecção e Esperança” Para Crianças

UNICEF Reforça “Protecção e Esperança” Para Crianças

advertisemen tO Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) comunicou que está a implementar um conjunto de acções integradas, destinadas a salvaguardar o bem-estar, a dignidade e o futuro das crianças afectadas pelas cheias no distrito de Chókwè, província de Gaza, no sul de Moçambique. Citado pela Agência de Informação de Moçambique, Gerson Nombora, especialista em Protecção da Criança do UNICEF, explicou que a entidade apostou, numa primeira fase, na formação de animadores comunitários e gestores de caso, para garantir apoio psicossocial e mecanismos eficazes de protecção às crianças expostas a riscos acrescidos, como a separação familiar, trauma psicológico e a violência. O responsável avançou ainda que a agência das Nações Unidas, em coordenação com o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), a Direcção Provincial de Obras Públicas e a Direcção Nacional de Abastecimento de Água e Saneamento (DNAAS), montou infra-estruturas essenciais com o apoio financeiro da União Europeia e do Governo da Espanha. “Entre as acções concretas destaca-se a construção de um bloco com quatro casas de banho, garantindo condições mínimas de higiene e saneamento, a instalação de uma tenda como Espaço Amigo da Criança, assegurando educação, recreação e apoio emocional, e a colocação de um tanque flexível com capacidade para cinco mil litros, para garantir o acesso à água segura”, descreveu. Gerson Nombora acrescentou que, numa fase subsequente da resposta, a UNICEF apoiou na instalação de um sistema de purificação de água no distrito de Chókwè, para fornecer água potável às comunidades afectadas, reduzindo o risco de doenças hídricas e reforçando a saúde pública, acção protagonizada em coordenação com o Governo e parceiros humanitários. Na semana passada, o Fundo das Nações Unidas para a Infância anunciou que necessita de 34 milhões de dólares para responder à crise humanitária provocada pelas cheias que afectam várias províncias de Moçambique desde o início do ano. O montante visa assegurar assistência às populações deslocadas ao longo dos próximos seis meses, abrangendo as províncias de Gaza, Maputo e parte de Sofala, segundo revelou Cláudio Julaia, especialista de emergência da organização no País. Dados actualizados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) indicam que, desde o início da época chuvosa, em Outubro, foram afectadas 844 mil pessoas em todo o País, com registo de 153 mortos e 254 feridos. Face à gravidade da situação, o Governo declarou o alerta vermelho nacional no dia 16 de Janeiro, sendo que actualmente, estão activos 77 centros de acomodação, acolhendo 76 251 pessoas deslocadas. Desde 7 de Janeiro, foram ainda danificadas 229 unidades sanitárias, 316 escolas e cinco pontes. No sector agrícola, as cheias afectaram 440 842 hectares de cultivo, dos quais 275 405 foram dados como perdidos, atingindo 314 780 agricultores. Estima-se também a morte de 408 115 cabeças de gado, entre bovinos, caprinos e aves. A UNICEF espera alcançar, pelo menos, 30 mil crianças com apoio humanitário directo nas próximas semanas A União Europeia, os Estados Unidos, Portugal, Angola, Espanha, Timor-Leste, Suíça, Noruega, Japão e China, além de países vizinhos, já anunciaram e enviaram ajuda humanitária de emergência. Recentemente, o Governo previu a necessidade de, pelo menos, 644 milhões de dólares para reparar os danos provocados pelas chuvas intensas registadas nos últimos 20 dias, que resultaram em cheias e inundações em várias regiões do País, com maior incidência nas zonas Centro e Sul. Entre os principais prejuízos, destacam-se os danos em cerca de três quilómetros da Estrada Nacional Número 1 (N1), a principal via rodoviária que liga Moçambique de norte a sul, situação que agravou as dificuldades de circulação de pessoas e de escoamento de bens essenciais. No final do ano passado, o Executivo aprovou o plano de contingência nacional para a época chuvosa 2025-26 avaliado em 14 mil milhões de meticais. No entanto, admitiu dispor apenas de 6 mil milhões de meticais da verba necessária. Moçambique está em plena época chuvosa, um período que tem sido marcado por alertas de chuvas e ventos fortes, principalmente nas zonas Centro e Sul do País, com as autoridades a activarem acções de antecipação às cheias e inundações naquelas regiões. O País é considerado um dos mais severamente atingidos pelas alterações climáticas, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais. Nas últimas chuvas, entre 2024-25, Moçambique foi atingido pelos ciclones Chido, Dikeledi e Jude que causaram a morte de pelo menos 313 pessoas, feriram 1255 e afectaram mais de 1,8 milhão. Os eventos extremos provocaram pelo menos 1016 mortos em Moçambique entre 2019 e 2023, afectando cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.advertisement

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