“Estado Islâmico em Moçambique Diversificou Fontes de
a d v e r t i s e m e n tEm 2025, o Estado Islâmico em Moçambique (ISM) diversificou as suas fontes de financiamento, recorrendo a raptos, extorsão e mineração artesanal, embora não seja ainda claro se estas práticas substituem ou apenas complementam o apoio financeiro externo, afirmou esta quinta-feira, 22 de Janeiro, o analista Peter Bofin, citado pela agência Lusa.
Segundo o investigador sénior da organização Armed Conflict Location & Event Data (ACLED) para a África Austral, o ISM dependia tradicionalmente de financiamento externo proveniente do escritório al-Karrar, uma célula financeira do Estado Islâmico que, a partir da Somália, supervisiona operações financeiras e de recrutamento do grupo no centro, leste e sul de África.
De acordo com Bofin, esse fluxo de financiamento poderá ter sido afectado pelo reforço das operações militares contra estruturas do Estado Islâmico na Somália, levadas a cabo pelas forças da Puntlândia, com apoio dos Estados Unidos da América e dos Emirados Árabes Unidos, desde o início de 2025.
Face a este contexto, o ISM terá expandido as suas fontes de rendimento, passando a recorrer com maior frequência a raptos para obtenção de resgates, extorsão e actividades ligadas à mineração ilegal, ainda que não exista confirmação de que estas práticas substituam integralmente o financiamento externo.
“Os raptos para resgate quadruplicaram em 2025, representando cerca de 10% de toda a actividade do grupo nesse ano”, indicou o analista, durante o webinar subordinado ao tema “Resgate, ouro e espólios de guerra: o novo fluxo de caixa do Estado Islâmico em Moçambique”.
No terreno, estas acções incluem a instalação de bloqueios rodoviários para deter pessoas, viaturas e mercadorias, sobretudo na estrada nacional N380, que liga o sul ao norte da província de Cabo Delgado, bem como o sequestro de embarcações e tripulações ao longo da costa.
Em alguns casos, acrescentou, são raptados civis durante ataques a aldeias e libertados posteriormente mediante o pagamento de resgates.
Estas práticas, segundo o especialista, “têm impactos mais amplos na economia local”, ao restringirem a circulação de bens essenciais e dificultarem a prestação de ajuda humanitária nas zonas afectadas pelo conflito.
Paralelamente, a presença do ISM em áreas de mineração artesanal e em pequena escala de recursos, como ouro e pedras preciosas, aumentou significativamente em 2025, num contexto de valorização do ouro nos mercados internacionais, cujo preço subiu mais de 60%.
Apesar disso, Bofin esclareceu que não há evidências de que o grupo controle directamente operações mineiras, existindo apenas indícios de pagamentos forçados e de apreensão ocasional de ouro e pedras preciosas.
No que respeita ao armamento, o ISM continua a abastecer-se sobretudo através da captura de armas e munições em confrontos com as Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), uma prática recorrente desde o início da insurgência, mas que se intensificou ao longo de 2025.
Durante o ano passado, o grupo esteve activo em 16 dos 17 distritos da província de Cabo Delgado e realizou ainda operações nas províncias vizinhas de Nampula e Niassa.
Cabo Delgado, província rica em recursos naturais, sobretudo gás natural, enfrenta ataques extremistas há oito anos, desde o primeiro assalto registado a 5 de Outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.a d v e r t i s e m e n t



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