Governação Corporativa Deve Acompanhar a Disrupção
A disrupção tecnológica deve ser incorporada nas decisões estratégicas dos conselhos de administração, sob pena de comprometer a capacidade transformadora das organizações. O alerta foi lançado por Esselina Macome, presidente do conselho de administração do Standard Bank, que defendeu uma liderança institucional mais atenta às exigências da era digital e ao papel social das organizações.
“Os conselhos de administração não podem ignorar a disrupção tecnológica”, afirmou, sublinhando a urgência de adoptar boas práticas ajustadas ao novo contexto. Falando durante o painel subordinado ao tema “Conselhos de administração que transformam”, Macome sustentou que os princípios de governação estão amplamente difundidos, mas o verdadeiro desafio reside na sua aplicação concreta.
“O grande problema é como os colocamos em prática”, declarou, reforçando a necessidade de uma actuação ética, responsável e com impacto tanto no interior das instituições como na sociedade em geral.
Diversidade de competências, género e idades reforça decisões e capacidade crítica nos conselhos de administração
A dirigente considerou essencial que os membros dos órgãos sociais se mantenham em permanente actualização, sobretudo no domínio das tecnologias emergentes, como a inteligência artificial. Na sua perspectiva, os conselhos devem promover uma cultura de aprendizagem contínua e criar condições para a adopção ética e eficiente das inovações digitais. “Temos de usá‑las em benefício da organização e das pessoas”, afirmou.
Durante o debate, foi igualmente salientada a importância da diversidade como factor estratégico nos conselhos de administração. A presença de perfis distintos — ao nível das competências, género e faixas etárias — foi apontada como essencial para reforçar a capacidade crítica e a qualidade das decisões, num ambiente de exigência crescente e transformação contínua.
A sessão concluiu com a reafirmação de que a governança corporativa só será eficaz se for socialmente relevante. “Uma organização que não é útil à sociedade pouco contribui”, sintetizou Macome, apelando a uma liderança mais comprometida com o bem comum.
O painel decorreu no âmbito do 1.º Congresso de Governação Corporativa de Moçambique, promovido pelo Standard Bank, que decorre esta quinta-feira (14), em Maputo. O evento reúne administradores, gestores e especialistas nacionais e internacionais para discutir os desafios e oportunidades da governação moderna nos sectores público e privado.
Texto: Felisberto Ruco



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