IHRU. Central de atendimento recebe mais de 4.050 chamadas

IHRU. Central de atendimento recebe mais de 4.050 chamadas

Apesar de ter sido lançada há mais de um mês, em 17 de dezembro de 2025, o IHRU só hoje divulgou à comunicação social a “linha telefónica”, salientando ser “uma das iniciativas em curso” da “estratégia” para assegurar “uma comunicação mais ágil e personalizada com os cidadãos”. A entidade pública responsável pela concretização, coordenação e monitorização da política nacional de habitação e dos programas definidos pelo Governo tem sido criticada por movimentos pelo direito à habitação e várias pessoas potencialmente beneficiárias, que têm denunciado dificuldades em contactar com os serviços. Depois de, em outubro de 2025, ter adotado um sistema de senhas — que, entre 01 de outubro e 31 de dezembro de 2025, registou perto de 6.000 atendimentos presenciais nas instalações de Lisboa e do Porto –, o IHRU lançou a linha telefónica (disponível através do número 217231500), que já recebeu “mais de 4.050 chamadas” (das quais 1.672 relativas ao Apoio Extraordinário à Renda e 933 relativas ao Programa Porta 65). Após o primeiro mês de funcionamento da linha, o IHRU faz um balanço “muito positivo” da central de atendimento, que “reduziu a afluência aos serviços, tendo-se verificado uma diminuição do número de atendimentos presenciais em cerca de 24%”. No comunicado hoje divulgado, o IHRU realça que um cidadão residente em qualquer local do território nacional poder expor a sua situação telefonicamente reduz a necessidade de deslocações e respetivos gastos e diminui as filas de espera no atendimento presencial. Em declarações à Lusa em outubro do ano passado, o presidente do IHRU, António Benjamim Costa Pereira, admitiu um cenário “gravíssimo”, reconhecendo que não estava a ser possível dar resposta aos mais de 50 mil beneficiários do Programa de Apoio Extraordinário à Renda (PAER) com a situação por resolver. Também nessa altura, movimentos pelo direito à habitação como o Porta a Porta falavam em atrasos de “mais do que um ano”, que levavam “várias famílias ao desespero por todo o país”. Em declarações à Lusa também em outubro, André Escoval, porta-voz do Porta a Porta, relatou que os canais de comunicação com o IHRU (telefone e Internet) eram “inacessíveis”, o que obrigava à deslocação direta aos centros de atendimento, existentes apenas em Lisboa e no Porto. A Lusa constatou uma elevada afluência no dia 23 de outubro, nas instalações de Lisboa, onde várias pessoas faziam fila desde a madrugada. Dias depois, o Porta a Porta realizou concentrações nas instalações do IHRU em Lisboa e Porto, para denunciar a atribuição de apenas dez senhas de manhã e dez senhas à tarde para atendimento presencial. O movimento alegou também a existência de cortes nos apoios à renda, o que o IHRU rejeitou, reconhecendo apenas constrangimentos administrativos relacionados com a validação de dados. Leia Também: Lei laboral? UGT a “finalizar” a contraproposta e apresenta-a em “breve”

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