Lucros do BPI até março recuam 2% para 133 milhões de euros

Nos três primeiros meses de 2026, a margem financeira – diferença entre os juros pagos nos depósitos e os cobrados nos créditos – também recuou 2%, para R$ 218,7 milhões. Já as taxas líquidas do grupo subiram 4%, para R$ 78,6 milhões. Do lado das despesas, os custos de estrutura subiram 4% para 132 milhões de euros, com os custos com pessoal subindo 9% para 68,4 milhões de euros. Por geografias, na operação em Portugal, os resultados recuaram de 98 milhões de euros no primeiro trimestre de 2025 para 90 milhões de euros neste ano. Já a contribuição do BFA (banco do qual BPI é acionista em Angola, com 33,35% do capital) foi de 42 milhões de euros, menos 9% em termos anuais, e a contribuição do BCI (banco do qual é acionista em Moçambique) foi de 1,0 milhão de euros, o que representa uma melhora em relação aos prejuízos de 7,0 milhões de euros no primeiro trimestre de 2025. O BPI também divulgou hoje suas projeções macroeconômicas para Portugal, em que reviu para baixo as anteriores, prevendo agora (já depois do início da guerra de Estados Unidos e Israel com Irã) uma projeção de crescimento da economia portuguesa de 1,8% este ano (ante 2,1% anteriores) e taxa de inflação de 2,9% (2,1% antes). No final de março de 2026, a carteira de crédito do BPI totalizava cerca de 33.800 milhões de euros, um aumento de 8% em termos homólogos, impulsionada principalmente pela subida no crédito à habitação, que aumentou 11%, para 17.500 milhões de euros. Já no outro crédito, houve queda de 5%, para R$ 1.400 milhão, fazendo com que o bolo de crédito para pessoas físicas avançasse 10%, para R$ 18.900 milhões. No crédito para empresas, houve alta de 6%, para R$ 12,7 mil milhões, enquanto no setor público caiu 1%, para R$ 2,2 mil milhões. Depois de quatro trimestres oscilando mas sem nunca se afastar dos R$ 1 bilhão, a contratação de crédito imobiliário recuou no primeiro trimestre deste ano para cerca de R$ 700 milhões. Para João Pedro Oliveira e Costa, essa variação “foi essencialmente por um aumento muito significativo da concorrência nesse aspecto”. “Não houve queda no número de transações, o que houve é que o BPI perdeu mercado”, reconheceu. “Não foi o mercado que quebrou, fomos nós que tivemos dificuldade de acompanhar nossos concorrentes, o que mostra a competitividade que o mercado tem”, completou. Quanto aos recursos dos clientes, estes cresceram 6% em termos anuais, para 43.600 milhões de euros, com os depósitos avançando 2%, para 32.200 milhões de euros. Segundo o diretor Francisco Matos, o BPI tem um saldo no balanço de 70 milhões de euros para imparidades, que “servem para cobrir cenários de incerteza”. “O que posso dizer é que hoje os modelos estão a prever bem o risco de crédito, portanto, para já, não antevejo que até o final do ano ou no curto prazo, venhamos a ter necessidade de utilizar as imparidades colocadas”, referiu, apontando que estas reservas “existem mesmo para acautelar cenários de incerteza”. Sobre o impacto da situação internacional nos resultados de 2026, o presidente do BPI disse acreditar que o banco cumprirá o plano estratégico, incluindo os lucros previstos (não conhecidos publicamente), ainda que “o entorno seja mais difícil, mais desafiador”. Em termos de índices de capital, o índice CET1 (‘common equity tier 1’) recuou em cadeia para 13,8%, o ‘tier 1’ para 15,1% e o de capital total para 17,1%, contra 14,0%, 15,3% e 17,5%, respectivamente. Já o índice de inadimplência bruta (‘NPL – non performing loans’ na expressão técnica em inglês) ficou em 1,6%. (Notícia atualizada às 14h40) Leia Também: Novo supermercado: Mercadona anuncia mais uma abertura e está recrutando



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