Governo Admite Revisão Orçamental “em Caso Extremo” Devido à
advertisemen tA ministra da Fazenda, Carla Loveira, admitiu a possibilidade de o governo realizar uma revisão orçamentária “em caso extremo”, se a guerra no Oriente Médio se intensificar a ponto de provocar a alta generalizada dos preços do petróleo.“No cenário mais extremo e adverso, pode, sim, ser necessária uma revisão orçamentária. Todo o impacto da guerra causa efeitos na economia, por meio da inflação importada, do incremento do preço dos combustíveis que pode gerar alta dos produtos básicos alimentícios. O conflito também pode determinar que haja um agravamento da despesa pública não em termos quantitativos, mas de valor” explicou. Em entrevista à Lusa, na Embaixada de Moçambique em Brasília, no âmbito de uma visita oficial de cinco dias ao Brasil, a governante afirmou que cerca de 80% das importações de combustíveis do País transitam pelo Estreito de Ormuz, vindos do Médio Oriente, lembrando que o País tem reservas de combustíveis consideradas suficientes até maio. Loveira destacou que o Governo realizou uma análise baseada em diferentes cenários sobre o abastecimento e preço do combustível. “Um cenário básico e atual; um cenário favorável com manutenção de contratos e estabilidade internacional; e um cenário adverso, com piora da situação”, nomeou. A ministra explicou que o País já possui convênios para compra de combustível, com contratos firmados até o final do ano e que está atuando para manter as condições dos mesmos. “O exercício que estamos fazendo é para tentar, na medida possível, mantermos os preços acordados. Mas, obviamente, aqui é um cenário incerto, então apresentamos pontos alternativos”, disse. No Plano Econômico Social e Orçamento do Estado (PESOE) para 2026, o Governo tinha previsto um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) na ordem de 2,8%, com uma inflação na ordem de 4,8%, mas que agora vão ser condicionados pelo desenvolvimento do conflito no Médio Oriente. Para o Executivo, se o conflito prevalecer, as perspectivas de recuperação da economia podem ser afetadas, prevendo que, em um cenário extremo em que o preço do barril de petróleo ultrapasse 140 dólares, o cenário econômico pode registrar crescimento negativo. Nesta semana, a Confederação das Associações Econômicas (CTA) mostrou-se preocupada com o impacto do conflito no Oriente Médio, sobretudo no que diz respeito à disponibilidade dos combustíveis, alertanto que, após o término do ‘estoque’ garantido pelo Executivo, “é evidente que não será fácil travar os preços” nos tempos seguintes. “O que outros países estão fazendo é subsidiar o preço do combustível, mas até certo ponto. O que rogamos é que haja um entendimento, o mais rápido possível, entre os beligerantes para abrir o canal e começar a circular o combustível para o mundo”, acrescentou o presidente da CTA, Álvaro Massingue. Os Estados Unidos da América e Israel lançaram, em 28 de fevereiro, um ataque militar contra o Irã, tendo matado, durante a ofensiva, o ‘ayatollah’ Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989. Em contrapartida, o Irã fechou o Estreito de Ormuz e lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região. O Estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, é atravessado por cerca de 20% do petróleo e por uma parte significativa do gás natural liquefeito comercializado por via marítima, segundo dados da Administração de Informação Energética dos Estados Unidos e das Nações Unidas.advertisement



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