Ministros das Finanças discutem impactos perante apelos de

Ministros das Finanças discutem impactos perante apelos de

A reunião ocorre quando se marca mais de dois meses desde o início do conflito, que impactou o fornecimento de petróleo e gás para a União Europeia (UE), altamente dependente de combustíveis fósseis importados, e deve afetar o crescimento econômico europeu neste ano e no próximo, bem como pressionar a inflação. Isso em um contexto em que os países da UE têm pouca margem fiscal para responder, dado que esta é a segunda crise energética em quatro anos, e tentam responder a novos desafios em termos de defesa e segurança. Em audiência parlamentar no início de abril, o comissário europeu da Economia, Valdis Dombrovskis, defendeu que Portugal pode ter “alguma margem de manobra” para lidar com a crise causada pelo conflito no Oriente Médio dada sua situação fiscal, mas admitiu impactos nos preços dos combustíveis e no poder de compra. Valdis Dombrovskis já veio alertar, no final de uma reunião virtual do Eurogrupo no final de março, que “qualquer resposta política nacional eficaz para proteger a economia e as pessoas deve (…) ser temporária e direcionada, sem aumentar a demanda agregada de petróleo e gás, e deve ser consistente com a necessidade de continuar a descarbonizar o sistema energético”. Uma análise de cenários realizada pela Comissão Europeia e divulgada no fim de março aponta que, diante de uma curta duração da crise energética, o crescimento da UE pode ficar de 0,2 a 0,4 ponto percentual abaixo do previsto nas previsões econômicas de outono, divulgadas em novembro passado. Por sua vez, a inflação poderá subir até um ponto percentual. Se as disrupções no fornecimento de energia forem mais prolongadas ou graves, o impacto será maior, de acordo com Bruxelas, que prevê que o crescimento poderá recuar 0,4 a 0,6 pontos percentuais, e a inflação aumentar entre 1,1 e 1,5 pontos percentuais, tanto em 2026 como em 2027. Os impactos orçamentais serão avaliados nas previsões econômicas que serão divulgadas pelo executivo comunitário em 21 de maio e no pacote de primavera do semestre europeu publicado em 03 de junho. O conflito começou em 28 de fevereiro de 2026, quando os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã, que retaliou com mísseis e drones, bem como com o bloqueio parcial do estreito de Ormuz, importante rota do petróleo mundial. Tal bloqueio causou forte aumento nos preços de petróleo e gás, gerando volatilidade nos mercados de energia e temores de falta de combustível, nomeadamente para o setor de aviação. Os efeitos econômicos globais também vêm incluindo pressão inflacionária, aumento dos custos de transporte e logística e instabilidade nos mercados financeiros. Após mais de dois meses de conflito, o cessar-fogo provisório em vigor trouxe algum alívio, mas a incerteza geopolítica e os impactos sobre cadeias de abastecimento e preços de energia devem persistir nos próximos meses. Leia Também: Mais de 100 aviões, navios e 15 mil militares em escoltas em Ormuz

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