Privatização da TAP e novo aeroporto avançam “em velocidade

“No que toca à aviação, salientar que quer o processo do novo aeroporto de Lisboa, quer da privatização da TAP, avançam em velocidade de cruzeiro sem sobressaltos ou incidentes dignos de nota”, disse Miguel Pinto Luz, na Comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação, no parlamento. Questionado sobre as dúvidas que têm sido levantadas sobre a localização do novo aeroporto no Campo de Tiro de Alcochete, o governante ressaltou que há um consenso político amplo e que a decisão é resultado de um compromisso duradouro. “Do meu ponto de vista, eu nunca pus isso em causa. Reafirmo que o senhor primeiro-ministro António Costa, o então ministro das Infraestruturas Pedro Nuno Santos, o atual primeiro-ministro Luís Montenegro e eu próprio aceitámos o resultado da Comissão Técnica Independente e estabelecemos um compromisso para décadas”, afirmou. O ministro também criticou a posição do maior partido de oposição, o Chega, por questionar novamente a localização e os custos associados, garantindo que o projeto não terá impacto direto nas contas públicas. “Percebemos que o maior partido de oposição vem agora colocar em xeque (a decisão) e usa um conjunto de valores, como uma suposta perda de receita de 25 bilhões de euros, que não correspondem à realidade”, disse. “Nem um euro do Orçamento do Estado será usado para o novo aeroporto”, assegurou. Miguel Pinto Luz garantiu que a posição do governo “é totalmente clara” e reiterou que a escolha foi validada por diversas entidades. “O relatório que foi entregue no dia 16 de janeiro, cumprindo os prazos, é muito claro. Não é mais só a Comissão Técnica Independente: são outras entidades, nacionais e internacionais, que voltam a validar, do ponto de vista ambiental e técnico, a localização”, ressaltou. “É tão importante e tão óbvio que não sei mais que mais argumentos posso usar”, acrescentou. O governante destacou também o desempenho do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, que “é considerado um dos melhores aeroportos do mundo, na sua categoria, pela qualidade do serviço prestado”, sublinhando que continua a ser uma aposta do executivo. Como parte da expansão e fortalecimento da capacidade aeroportuária, o ministro apontou diversos investimentos em andamento, entre eles obras na infraestrutura e melhorias operacionais. Segundo indicou, a concessionária dos aeroportos nacionais, a ANA, está realizando obras de reforço da pista, num investimento de 50 milhões de euros, enquanto a NAV, gestora do tráfego aéreo, trabalha no aumento da capacidade do espaço aéreo, de 24 para 26 movimentos por hora, a partir do próximo inverno, bem como na redução das limitações em condições de neblina. Já a TAP inaugurou recentemente uma base de manutenção e engenharia para aeronaves A320 também no aeroporto do Porto, representando um investimento de 20 milhões de euros, lembrou. Pinto Luz lembrou ainda que foi criado um grupo de trabalho para analisar as diversas opções de expansão aeroportuária apresentadas pela ANA e ressaltou a importância estratégica das infraestruturas aeroportuárias, defendendo que um aeroporto é “essencial para o dinamismo da região norte de Portugal e fundamental para o equilíbrio entre as duas maiores áreas metropolitanas do país”. O caderno de encargos da venda da TAP prevê a venda de até 44,9% do capital, com 5% reservado aos trabalhadores, ficando qualquer participação não subscrita sujeita ao direito de preferência do futuro comprador. Air France-KLM, IAG – dona da Iberia e British Airways – e Lufthansa já manifestaram interesse no processo. Quanto ao novo aeroporto, a ANA Aeroportos prevê a abertura em meados de 2037, ou, com otimizações ao cronograma a ser negociado com o Governo, no final de 2036. Leia Também: Habitação? “Há sinais de esperança” com mais oferta e frenagem de aluguéis



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