Inflação Pode Atingir 8,4% em 2027, Investimento Estrangeiro
advertisemen tA semana económica foi marcada por sinais de aceleração inflacionária no médio prazo, sustentados por previsões externas e riscos cambiais, ao mesmo tempo que o investimento estrangeiro continua a aumentar, sobretudo na indústria extractiva. Em paralelo, o sector empresarial expressou preocupações quanto ao novo modelo de importação centralizada de cereais, e os fundos de pensões continuam a afastar‑se do sistema bancário tradicional, reforçando a tendência de migração para o mercado de capitais. A consultora britânica Oxford Economics antecipa uma subida acentuada da inflação em Moçambique nos próximos dois anos, impulsionada pelo reinício dos grandes projectos de gás natural liquefeito e pelo provável financiamento monetário do défice orçamental. Segundo a análise publicada esta semana, espera‑se que a inflação média se situe em 4,8% em 2026, acelerando para 8,4% em 2027, à medida que os efeitos da desvalorização cambial se tornem mais pronunciados. Embora se preveja alguma moderação da inflação no primeiro trimestre de 2026, sustentada por estabilidade cambial e taxas de juro reais elevadas, a consultora considera que o contexto interno poderá inverter rapidamente essa tendência. O documento, divulgado à margem dos dados mais recentes da inflação de Dezembro, refere que “a moeda sobrevalorizada do País, as reservas cambiais limitadas e a pressão do Fundo Monetário Internacional provavelmente levarão o Governo a desvalorizar gradualmente o metical em 2026”. Em 2025, a inflação registada foi de 3,23%, valor consideravelmente abaixo da previsão governamental, situada em torno dos 7%. Esta trajectória confirma a tendência de desaceleração iniciada em 2023, consolidada em 2024, e agora sujeita a potenciais inversões. O Índice de Preços no Consumidor relativo a Dezembro revelou uma variação mensal de 0,49%, com maior contribuição do sector de alimentação e bebidas não alcoólicas, responsável por 0,43 ponto percentual dessa evolução. A CTA aponta que o novo modelo poderá provocar rupturas em contratos internacionais, perdas financeiras não indemnizáveis, redução de investimentos e fragilização da base fiscal No campo do investimento, o País continua a atrair capitais externos a ritmo crescente. Segundo o Banco de Moçambique, o Investimento Directo Estrangeiro (IDE) atingiu 2,2 mil milhões de dólares no terceiro trimestre de 2025, valor fortemente impulsionado pelos grandes projectos, em particular na indústria extractiva, que absorveu cerca de 2,05 mil milhões de dólares. O restante investimento, no valor de 245 milhões de dólares, foi canalizado para sectores como indústria transformadora, energia, água, alojamento e actividades imobiliárias. Comparativamente ao segundo trimestre, em que o IDE totalizara 902 milhões de dólares, o desempenho do terceiro trimestre representa uma aceleração expressiva. Em termos anuais, o IDE em 2024 situou‑se em 3,5 mil milhões de dólares, um crescimento de 41,5% face a 2023. O ponto mais alto da década continua a ser 2021, com 5,1 mil milhões de dólares em entradas de capitais. O Banco Central destaca a crescente confiança dos investidores internacionais, mas sublinha a importância de manter a estabilidade política e de segurança como condição essencial para a continuidade desta tendência. Por outro lado, o sector empresarial nacional manifestou fortes reservas relativamente à recente decisão do Executivo de centralizar a importação de arroz e trigo no Instituto de Cereais de Moçambique (ICM). A Confederação das Associações Económicas (CTA), através de uma carta enviada ao Ministério da Economia, alertou que a medida ameaça comprometer investimentos superiores a 500 milhões de dólares já realizados por operadores privados, bem como colocar em risco cerca de 30 mil empregos, sendo 10 mil directos e 20 mil indirectos. A CTA aponta que o novo modelo poderá provocar rupturas em contratos internacionais, perdas financeiras não indemnizáveis, redução de investimentos e fragilização da base fiscal. Acrescenta ainda que a produção nacional de arroz é insuficiente para cobrir a procura anual, actualmente situada em cerca de 700 toneladas, quando a produção interna ronda apenas 80 mil toneladas. No caso do trigo, a dependência de importações é total, o que, segundo os empresários, torna o País altamente vulnerável a choques no abastecimento. A carta critica igualmente a ausência de uma auscultação prévia ao sector privado, a falta de enquadramento legal e a inexistência de capacidades operacionais comprovadas do ICM. “As restrições e a centralização excessiva podem criar incentivos ao contrabando, à informalidade, à cartelização e à corrupção sistémica”, lê‑se no documento, que termina com um apelo à previsibilidade regulatória e ao respeito pelos princípios da concertação público‑privada. Por fim, os dados mais recentes do Banco de Moçambique confirmam a tendência de retracção dos fundos de pensões no sistema bancário nacional. Entre Dezembro de 2024 e Junho de 2025, os depósitos destas entidades caíram 19,4%, passando de 52,5 milhões de dólares para 42,3 milhões de dólares. O peso relativo dos fundos de pensões no total dos depósitos bancários caiu de 0,47% para 0,36%, o que, segundo o regulador, reflecte um movimento estrutural de redireccionamento de aplicações para o Mercado de Valores Mobiliários (MVM). Texto: Felisberto Rucoa dvertisement



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